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Cotidiano
22/02/2008 - 16h48

Laudo diz que estudante que atropelou frentista estava bêbado e portava lança-perfume

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da Folha Online

O estudante Caio Meneghetti Fleury Lombardi, 19, que atropelou um frentista em um posto de gasolina em Ribeirão Preto no último dia 11, estava bêbado e havia usado lança-perfume antes do acidente. Um laudo divulgado pelo IML (Instituto Médico Legal) nesta sexta-feira aponta que o universitário tinha 0,85 gramas de álcool por litro de sangue, quando o permitido é 0,60 gramas. O teste também apontou a que os frascos que estavam no carro do estudante continham cloreto de etila, substância usada para fabricar lança-perfume.

O frentista Carlos Pereira Silva, 37, foi atropelado quando o Lombardi invadiu o posto. No carro do estudante foram encontrados seis frascos de lança-perfume. As dez testemunhas do atropelamento, além do frentista, relataram à Polícia Civil que o estudante aparentava estar embriagado.

Segundo o delegado do 4º Distrito Policial, Luiz Geraldo Dias, ele será indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual --quando o autor do delito assume o risco de morte ou lesão à vítima--, tráfico de drogas, dano com periclitação de vida, --quando o estrago praticado coloca em risco a vida de outras pessoas. Este último item, segundo o delegado, foi acrescentado no inquérito porque o carro do universitário bateu em uma bomba de gasolina, que poderia explodir e ferir ao menos 50 pessoas que estavam em uma loja de conveniência no posto.

Dias também vai pedir a cassação da carteira de motorista de Lombardi, com base no artigo 294 do Código de Trânsito Brasileiro, além de aplicação de multa ao estudante, previsto no artigo 297, também do código.

O delegado deve indiciar Lombardi no início da próxima semana, quando também deve intimar o estudante a prestar depoimento. A família do rapaz disse ao delegado que ele comparecerá à delegacia assim que for intimado.

Consciente

O delegado colheu o depoimento do frentista nesta terça-feira (19). A vítima deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na segunda-feira (18) e permanece internado no Hospital das Clínicas da cidade. Ele teve uma fratura no rosto e queimaduras graves pelo corpo, causadas pelo óleo e água do radiador do carro.

Dias afirmou que Silva lembrou de todos os detalhes do atropelamento e que perdeu a consciência somente quando deu entrada no hospital. Ele teve uma fratura no rosto e sofreu queimaduras graves --de óleo e da água do radiador do carro-- nos braços e pernas.

"É inacreditável que uma vítima em estado tão grave recupere a consciência. Ele lembra de tudo, de quando ouviu o estrondo e caiu no chão; das rodas do carro girando perto dele e do momento em que a água e o óleo começaram a cair abaixo de sua cintura e nos braços", afirmou o delegado.

De acordo com Dias, o depoimento do frentista confirmou o que outras dez testemunhas disseram à polícia.

Acidente

Lombardi, que dirigia um Vectra, atravessou o canteiro da avenida Independência em alta velocidade e invadiu o posto. O frentista ficou preso sob o carro.

Ele havia acabado de sair de um trote universitário e usou lança-perfume, como mostrou o laudo --um dos frascos encontrados no carro estava vazio, segundo a Polícia Civil.

Após o atropelamento, o jovem tentou fugir, mas foi impedido pelas pessoas que estavam no posto.

 

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