Publicidade

Cotidiano
24/02/2008 - 20h46

Jovem assistia TV quando foi soterrada por parede de sala

Publicidade

CAMILA NEUMAM
Colaboração para a Folha Online

A jovem Natália Cabral, 14, morta num desabamento parcial da casa onde morava, na zona norte de São Paulo, assistia TV quando foi atingida pela parede da sala por volta das 14h deste domingo. Ela ficou soterrada. Depois de quase quatro horas de resgate, os bombeiros conseguiram localizar o corpo, já sem vida.

Além dela, outras três crianças estavam no imóvel: uma amiga, de 13 anos, um primo de 14, e o irmão de 15 anos. Elas não foram atingidos pois estavam em outros cômodos. Duas foram até uma cozinha, e outra, estava no quarto.

A jovem morava havia cerca de três anos com os pais, um irmão e um primo numa das casas da favela da Bica, próximo ao número 520 da rua Calandra, na Vila Germinal (zona norte de São Paulo). Os pais não estavam no local no momento do desmoronamento.

O local é de difícil acesso e é necessário atravessar uma passarela de madeira improvisada para ter acesso às casas, já que o local fica na outra margem do córrego Tremembé. A área onde elas foram construídas fica numa encosta de terra e é considerada de risco. A Defesa Civil interditou alguns imóveis devido ao acidente.

O acidente

A casa onde a jovem morava fica atrás de uma encosta de terra que é cercada de bananeiras. Segundo o Corpo de Bombeiros, a força das águas da chuva fez a terra deslizar e arrancar algumas bananeiras, que vieram a cair sobre a parede de alvenaria da sala onde ela estava.

Segundo relatos dos adolescentes que estavam com a jovem na casa, o primo e a amiga tinham ido na cozinha para pegar maçã para comer. O irmão descansava deitado numa cama no mesmo cômodo onde ela assistia TV.

No momento do desmoronamento de terra, Cabral estava sentada no sofá, que ficava encostado na parede que ruiu. A terra tomou conta do cômodo e o irmão dela disse que saltou da cama ao ouvir o barulho da terra deslizando e correu até a cozinha, onde estavam o primo e a amiga. De lá, os três gritaram por socorro pela janela, uma vez que o único acesso, a porta localizada na sala, estava interditada pelo acúmulo de terra que se formou.

A dona-de-casa Patrícia Santos, 28, conta que ouviu os gritos e chamou os vizinhos para ajudar. "Uns sete homens foram lá [na casa] para tentar tirar as crianças. Os que estavam na cozinha conseguiram sair, mas o acesso à sala era impossível porque estava cheio de terra", disse.

Estudiosa, alegre e religiosa foram alguns dos adjetivos que vizinhos e parentes utilizaram para qualificar a jovem, aluna da 7ª série da Escola Estadual Edson Rodrigues, no Jaçanã (zona norte).

O segurança Francisco Wellington, 40, tio da menina, afirmou que ela era uma espécie de exemplo para a família. "Ela era muito caseira, inteligente e não era muito de sair, queria estudar. Ia à igreja todos os domingos", afirmou.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca