Greve de motoristas de ônibus afeta 150 mil na zona leste de SP
da Folha Online
Texto alterado às 12h10
Os motoristas e cobradores de 24 linhas que circulam a partir do extremo da zona leste de São Paulo e que atendem cerca de 150 mil pessoas por dia realizam uma paralisação por tempo indeterminado nesta segunda-feira. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar a manifestação.
Os trabalhadores integravam uma cooperativa contratada pela SPTrans (empresa que gerencia o transporte público de São Paulo) e agora prestam serviço para uma empresa que venceu uma licitação para operar na região. Eles alegam não mais trabalhar na condição de cooperativados e exigem a incorporação de direitos trabalhistas como carteira de trabalho assinada, cesta-básica e convênio médico.
A Secretaria Municipal de Transportes acionou o Paese (Plano de Apoio a Empresas em Situação de Emergência) em seis das 24 linhas. Segundo a SPTrans, o Paese garante até 50% de atendimento da demanda nas linhas Jardim Marília - terminal Parque D. Pedro, Jardim Santo André - terminal São Mateus, Jardim São Francisco - Metrô Itaquera, Jardim Nova Vitória - Metrô Carrão, Jardim da Conquista - Terminal São Mateus e Parque São Rafael - Metrô Belém.
Essas linhas foram escolhidas por serem as mais importantes, e, entre outros motivos, por apresentarem maior demanda entre as que estão paralisadas. As outras 18 são as chamadas locais --geralmente circulam dentro das regiões-- e, segundo justificativa da SPTrans, o usuário pode se servir de baldeações por meio de outras linhas para chegar a seu destino.
Oficialmente a SPTrans não informou quantos usuários foram prejudicados.
Imbróglio
Informações preliminares apontam que os trabalhadores seriam da Novo Horizonte, que se associou à empresa Himalaia para participar de uma licitação na chamada área 4 --parte da zona leste-- do sistema de transporte público. As duas formam o chamado Consórcio Leste 4, que venceu a licitação.
Segundo o diretor jurídico do Sindmotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo), Geraldo Diniz da Costa, os trabalhadores pretendem ser recebidos por uma comissão da empresa.
Ele afirma que a justificativa apresentada pelos trabalhadores é a de que não estão recebendo salários, mas sim os valores obtidos com as viagens realizadas, em pagamento que se assemelha ao que era feito quando eram cooperativados. A lógica, segundo ele, é que, os motoristas não prestam mais serviços nesta condição, mas sim como funcionários da empresa que venceu a licitação na área 4.
A reportagem não conseguiu localizar representantes da Novo Horizonte e do Consórcio Leste 4.
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