Jovem que atropelou frentista diz que bebeu e não se lembra de acidente
da Folha Online
A Polícia Civil de Ribeirão Preto (313 km ao norte de SP) colheu nesta segunda-feira o depoimento do estudante Caio Meneghetti Fleury Lombardi, 19, que atropelou um frentista em um posto de gasolina em Ribeirão Preto no último dia 11. Laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou que o estudante estava bêbado e que a substância encontrada em seu carro era mesmo lança-perfume.
À polícia, Lombardi disse que havia participado do trote aos calouros na faculdade e foi "estimulado" a beber por estudantes veteranos. Ele disse à polícia que não se lembra do momento do acidente pois "apagou".
O frentista Carlos Pereira Silva, 37, foi atropelado quando o Lombardi invadiu o posto. No carro do estudante foram encontrados seis frascos de lança-perfume. Dez testemunhas do atropelamento, além do frentista, relataram à Polícia Civil que o estudante aparentava estar embriagado. O laudo do IML mostrou que o universitário tinha 0,85 gramas de álcool por litro de sangue, quando o permitido é 0,60 gramas.
Segundo delegado do 4º Distrito Policial, Luiz Geraldo Dias, Lombardi disse que por volta das 10h daquele dia foi abordado por estudantes veteranos que cortaram seu cabelo e pintaram suas roupas. Ele disse ter sido levado por esses estudantes, no carro de um deles, para um local onde foi realizado o "pedágio" dos calouros --os novos universitários param carros para pedir dinheiro.
"Ele [Lombardi] disse que ele e outros estudantes eram 'estimulados' a beber. Não foram nem forçados nem coagidos. Quando chegou à noite, ele relatou que disse a um dos veteranos que não estava bem de saúde. Perguntei a ele se isso aconteceu por causa da bebida e ele disse que sim", afirmou o delegado.
Lombardi disse ao delegado que levou três veteranos em casa e que em determinado trecho do trajeto teria "apagado", que não se lembrava do que aconteceu.
"Ele disse que acordou quando as pessoas [que presenciaram o acidente no posto] o estavam esmurrando", disse o delegado sobre o depoimento do rapaz.
Dias afirmou que Lombardi negou que tenha tentado fugir, mesmo sabendo que as imagens haviam sido captadas pelo circuito interno do posto. O estudante também disse no depoimento que os frascos de lança-perfume foram esquecidos pelos estudantes veteranos em seu carro.
O delegado indiciou hoje Lombardi por tentativa de homicídio com dolo eventual --quando o autor do delito assume o risco de morte ou lesão à vítima--, tráfico de drogas, dano com periclitação de vida --quando o estrago praticado coloca em risco a vida de outras pessoas. Este último item foi acrescentado no inquérito porque o carro do universitário bateu em uma bomba de gasolina, que poderia explodir.
Dias também vai pedir a cassação da carteira de motorista de Lombardi, com base no artigo 294 do Código de Trânsito Brasileiro, além de aplicação de multa ao estudante, previsto no artigo 297, também do código.
O inquérito será encaminhado nesta terça-feira (26) para apreciação da Justiça.
"São 170 páginas do inquérito somente com o depoimento das testemunhas. Não acredito que a defesa apresentada por ele tire o peso dos laudos e das testemunhas. A sociedade não aceita mais isso", afirmou o delegado.
A vítima deixou a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital das Clínicas na semana passada (19). Ele teve uma fratura no rosto e queimaduras graves pelo corpo, causadas pelo óleo e água do radiador do carro.
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