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Cotidiano
28/02/2008 - 17h57

Polícia conclui e envia inquérito de atropelamento de frentista à Justiça

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da Folha Online

A Polícia Civil de Ribeirão Preto (313 km ao norte de SP) concluiu nesta sexta-feira o inquérito sobre o atropelamento do frentista Carlos Pereira Silva, 37, pelo estudante Caio Meneghetti Fleury Lombardi, 19, na noite do dia 11 deste mês. O universitário foi indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual --quando o autor do delito assume o risco de morte ou lesão à vítima--, tráfico de drogas e dano com periclitação de vida --quando o estrago praticado coloca em risco a vida de outras pessoas.

O delegado do 4º Distrito Policial, Luiz Geraldo Dias, protocolou o inquérito hoje no Tribunal do Júri e agora aguarda apreciação da Justiça. Junto à investigação, Dias anexou um laudo pericial com 75 páginas onde estão 40 fotografias da seqüência de imagens do acidente. Uma das imagens chamou a atenção do delegado.

"As fotos mostram todos os detalhes da destruição do posto. As fotos são as imagens decodificadas, segundo a segundo, desde o momento em que ele [Lombardi] atravessou o canteiro e invadiu o posto, passando entre duas árvores que ficam no canteiro. Ninguém que estivesse "apagado' passaria entre essas árvores", disse o delegado, se referindo sobre o depoimento do estudante, que disse que não se lembra do momento do acidente pois estava bêbado e "apagou".

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) para embriaguez mostrou que o universitário tinha 0,85 gramas de álcool por litro de sangue, quando o permitido é 0,60 gramas. O delegado ouviu os peritos que assinaram o laudo e foi informado que a quantidade de álcool encontrada no sangue de Lombardi provoca o estado de euforia, mas não causa a perda de consciência.

"Isso significa que ele tinha relativa consciência para contextualizar o que estava fazendo", afirmou o delegado.

Calouro

Lombardi prestou depoimento nesta segunda-feira (25) no 4º DP. Ele disse que no dia do atropelamento foi abordado por veteranos da faculdade onde ingressou por volta das 10h. O estudante disse ter sido levado por esses universitários, no carro de um deles, para um local onde foi realizado o "pedágio" dos calouros --eles param carros para pedir dinheiro.

"Ele [Lombardi] disse que ele e outros estudantes eram 'estimulados' a beber. Não foram nem forçados nem coagidos. Quando chegou à noite, ele relatou que disse a um dos veteranos que não estava bem de saúde. Perguntei a ele se isso aconteceu por causa da bebida e ele disse que sim", afirmou o delegado.

Lombardi disse ao delegado que levou três veteranos em casa e que em determinado trecho do trajeto teria "apagado", que não se lembrava do que aconteceu. Ele negou também que tentou fugir do local do acidente.

"Ele disse que acordou quando as pessoas [que presenciaram o acidente no posto] o estavam esmurrando", disse o delegado sobre o depoimento do rapaz.

As imagens do posto mostram quando Lombardi acelerou o carro, mesmo após atropelar Silva, e quando ele sai e depois entra no carro novamente.

O frentista deixou o hospital ontem (27) e seu advogado informou que vai processar o estudante por danos morais, materiais e estéticos.

 

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