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Cotidiano
28/02/2008 - 21h32

Médico investigado em GO diz que útero não foi retirado por engano

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RENATA BAPTISTA
da Agência Folha

O médico que operou a mulher que disse ter tido seu útero retirado por engano, em Aparecida de Goiânia (região metropolitana de Goiânia), disse nesta quinta-feira que a intervenção era necessária e que ela sabia que o procedimento seria realizado.

Em nota divulgada pelo hospital Garavelo, onde ocorreu a cirurgia, o médico Vanderlei de Oliveira afirma que fez exame ginecológico na dona-de-casa Dorcelina Justo, 48, momentos antes da cirurgia, realizada no dia 22, e constatou que ela apresentava prolapso genital de grau 2 (queda do útero).

Segundo o médico, os quadros de incontinência urinária e disfunção sexual não seriam solucionados apenas com a cirurgia para a reparação do períneo, e a retirada do útero era a melhor indicação. Ele disse que o marido da paciente assinou um termo de compromisso, exigido pelo hospital antes da realização de qualquer cirurgia.

Justo denunciou o caso à polícia, dizendo que só soube que tinha perdido o útero na sala de cirurgia, e que o erro ocorrera provavelmente devido a uma troca de prontuários. Em depoimento, ela disse que assinou um termo para cirurgia no períneo antes da internação, mas que o marido foi procurado para assinar outros papéis depois da operação.

A dona-de-casa disse que a operação, custeada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a impediu de ser mãe novamente. Ela tem dois filhos adultos do primeiro casamento e havia sido submetida a uma laqueadura. Casada novamente há sete anos com um homem sem filhos, há quatro anos ela está na fila da Santa Casa de Goiânia para ser submetida a um tratamento de fertilização in vitro. Ela disse que vai acionar o hospital e a equipe médica na Justiça por danos morais, materiais e estéticos.

O advogado de Justo, Edilberto Dias, reafirmou ontem que a cirurgia não foi autorizada e que a Polícia Civil vai solicitar uma acareação com as partes para apurar o caso.

O Conselho Regional de Medicina de Goiás também investiga a suspeita de erro médico.

Oliveira afirmou, na nota, que ao contrário do que disse a paciente, não houve troca de prontuários. Ele disse ainda que, em nenhum momento da consulta, a paciente falou que gostaria de ter mais um filho.

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