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Cotidiano
03/03/2008 - 13h36

Avião que caiu no Rio usava querosene no lugar de gasolina, diz delegado

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
MÁRCIA BRASIL
RAPHAEL GOMIDE
da Folha de S.Paulo, no Rio

Texto atualizado em 04/03/2008

O avião que caiu domingo (2) na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, foi abastecido com combustível errado, disse no início da tarde desta segunda-feira o delegado titular 16ª DP (Barra), Carlos Augusto Nogueira Pinto. O acidente causou a morte dos quatro ocupantes da aeronave.

O delegado afirmou que teve acesso à nota fiscal em que consta a venda de combustível à aeronave, feita pelo terminal da distribuidora BR do aeroporto de Jacarepaguá. A nota mostra que a aeronave foi abastecida com querosene de aviação em vez de gasolina de aviação.

O delegado, no entanto, disse que ainda é cedo para dizer se isso pode explicar o acidente ou a fumaça preta que foi vista logo depois de o avião --um Cirrus SR 22, prefixo PR-IAO-- decolar.

Nogueira Pinto disse que o responsável pelo pedido do combustível --que também acompanhou o abastecimento-- foi o empresário Joci José Martins, 55, dono do avião, morto no acidente. "Fico surpreso por saber que o erro foi de um dos ocupantes do avião. O empresário tinha autorização para voar, mas com certeza ele tinha muito menos experiência que o comandante [Frederico Carlos Xavier de Tola]". Martins assina a nota emitida pela BR Distribuidora.

O funcionário do terminal de abastecimento do próprio aeroporto de Jacarepaguá, responsável pelo abastecimento da aeronave, disse em depoimento que "um dos pilotos" fez o pedido de compra, acompanhou o procedimento e pagou. "Estou convencido de que ele não teve culpa. Um dos dois pilotos acompanhou o abastecimento. Ele só não soube dizer qual dos dois quando mostrei as fotos. Aguardo agora o resultado das perícias da Polícia Civil e da Aeronáutica".

O erro no abastecimento poderia ter sido evitado se o responsável tivesse lido o adesivo em azul ao redor do tanque, avisando em português o combustível adequado: AVGAS - Octanagem mínima 100 LL ou 100/ 130, como consta do manual.

Segundo o diretor-executivo da Cirrus Internacional, John Bingham, todos os aviões da empresa no Brasil têm o aviso. Embora de maneira cautelosa, ele afirmou que, "se o avião realmente recebeu o combustível errado, é mais que provável que essa tenha sido a causa do acidente". Para o presidente da Cirrus Brasil, Sérgio Benedetti, "houve erro humano".

A Folha apurou que, se o avião fosse menos avançado, talvez voasse no limite. No turbo, o motor não funciona.
"Essas informações, ainda são extra-oficiais e aguardamos a confirmação", disse Bingham.

Acidente

O avião caiu em um terreno na Barra da Tijuca logo após decolar do aeroporto de Jacarepaguá (zona oeste) com destino a Santa Catarina.

Morreram no acidente o empresário e proprietário da aeronave, Joci José Martins, o piloto Frederico Carlos Xavier de Tolla, Silvio Pedro Vanzela e Gilmar Sidnei de Toni.

Além da Polícia Civil, a Aeronáutica também investiga as responsabilidades no acidente. O Seripa (Serviço Regional de Investigação de Acidentes Aeronáuticos) tem 90 dias para apresentar um parecer. O objetivo da investigação do Seripa é emitir um relatório com as causas do acidente para evitar que novos problemas ocorram em aeronaves semelhantes.

A Infraero informou que já começou a fazer a transcrição do diálogo entre o piloto do avião e a torre de Jacarepaguá. O conteúdo será enviado ainda na tarde desta segunda-feira à Aeronáutica e à polícia do Rio.

 

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