Cotidiano
04/03/2008 - 20h28

Empresas de consórcio de trem-bala participaram de estudos na linha 4 do metrô

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O consórcio que executará o projeto do trem-bala Rio-SP tem duas empresas que participaram de estudos para a linha 4-amarela do Metrô de São Paulo, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Nas obras da linha, uma cratera foi aberta em uma escavação de um túnel em janeiro do ano passado, matando sete pessoas.

O consórcio, que venceu licitação feita pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em janeiro deste ano, é formado pelas empresas brasileiras Balman Consultores Associados e Sinergia Estudos e Projetos, e a inglesa Halcrow Group, que fez estudo para Eurotúnel (que liga Inglaterra e França sob o Canal da Mancha).

As duas brasileiras, segundo o BNDES, já foram parceiras em estudos para a construção da linha 4-amarela do metrô de São Paulo. Investigações do Ministério Público de São Paulo trabalham com a hipótese de omissão e falta de plano de contingenciamento de riscos na área do acidente.

Representantes das duas empresas brasileiras ainda não responderam ligações da Folha Online para explicar a participação no projeto da linha 4-amarela.

Financiamento

Além do subsídio de US$ 300 mil para os estudos de viabilidade do trem-bala ligando as cidades de São Paulo e do Rio, o BNDES poderá conceder financiamentos para a execução do projeto ao longo de sua construção, segundo o coordenador do projeto no banco, Henrique Pinto.

"É natural o BNDES participar [da construção do trem-bala] com financiamentos", disse Pinto, em reunião nesta terça-feira com o consórcio vencedor da licitação para o estudo de viabilidade do trem-bala.

Inicialmente, a idéia é que a obra seja construída apenas com verbas da iniciativa privada, com exceção de uma provável extensão entre São Paulo e Campinas, que poderá ser feito por PPP (Parceria Público-Privada), segundo anunciou o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) em janeiro deste ano. O possível trecho entre São Paulo e Campinas é uma tentativa do governo federal de integrar os aeroportos de Viracopos, Guarulhos e Galeão (Rio) e, assim, aliviar o movimento nos aeroportos de São Paulo.

Mas o cronograma do governo federal para o trem-bala anunciado em janeiro já está atrasado. A idéia era concluir os estudos de viabilidade em agosto deste ano para licitar a obra já no primeiro semestre de 2009. Os estudos, contudo, terão a primeira fase concluída apenas no fim do ano, segundo Henrique Pinto. Pinto disse que não há como garantir um prazo para o início das obras.

"Ainda não temos uma visão clara sobre o início das obras. Mas se eles [governo] colocarem isso [prazo para o primeiro semestre de 2009] como objetivo, vamos atender", declarou o representante do BNDES no projeto.

Em uma primeira fase, o estudo de viabilidade pretende definir o número de paradas e o trajeto do trem-bala, além da tecnologia que será utilizada e de possíveis impactos ambientais. A idéia inicial é haver paradas nas cidades de São José dos Campos, Jundiaí e Taubaté, em São Paulo, e Resende e Volta Redonda, no Rio, além da extensão até Campinas.

O traçado da linha é considerado uma das tarefas mais difíceis para os integrantes do consórcio. Segundo o coordenador do projeto pela Sinergia Estudos e Projetos, Willian de Aquino, há uma diferença de cerca de 800 metros de altitude entre São Paulo e Rio. O trecho também não poderá ter muitas curvas para que não perca a velocidade pretendida, de acima de 200 quilômetros por hora.

A primeira fase do estudo também inclui pesquisas de demanda. Caberá à Sinergia uma pesquisa com cerca de 40 mil pessoas que fazem atualmente o trecho entre São Paulo e Rio de carro, ônibus e avião, segundo Aquino.

O consórcio prevê ainda apresentar opções diferentes de preços para a tarifa de acordo com levantamentos de viabilidade econômica e financeira, e um programa de tarifas diferenciadas de acordo com a freqüência de cada usuário também está sendo considerado.

O representante do BNDES no projeto, Henrique Pinto, afirmou que não está descartada a hipótese de o projeto não ser viável, caso a tarifa fique muito acima do que os usuários se proporiam a pagar. Ele disse ainda não ser possível saber se será possível manter o valor da tarifa em menos de US$ 100, estimado pelo governo federal.

Além dos preços, ainda não está definido o local de onde o trem sairá no Rio. O governo do Rio começa a descartar a Central do Brasil, estação final de todas as linhas da malha ferroviária do Estado, como opção para receber o trem-bala. Isso por conta de um plano de expansão da Supervia, concessionária que administra os trens no Rio, que deve acarretar em um aumento no número de passageiros.

"Com isso, achamos que a Central do Brasil não suportaria o fluxo de passageiros também do trem vindo de São Paulo", disse o secretário estadual de Transportes do Rio, Julio Lopes.

A única opção do governo do Rio, por enquanto, é a estação da Leopoldina, no centro do Rio, que terá que passar por obras de revitalização. Em São Paulo, a opção mais viável é construir um terminal na estação da Luz.

Propostas estrangeiras

Já há quatro propostas estrangeiras para a construção do trem-bala entre Rio e São Paulo, segundo o secretário estadual de Transportes do Rio, Júlio Lopes. Além dos projetos de empresas alemã e italiana, apresentados ano passado, Lopes disse que há japoneses e coreanos também interessados no trem-bala. "Coreanos nos procuraram para entregar um projeto novo e receberemos um de japoneses nos próximos dias".

A construção do trem-bala está avaliada em US$ 11 bilhões e levará cinco anos, a partir de 2009, para ficar pronta, segundo o governo federal. As estimativas iniciais são de que o trajeto entre São Paulo e Rio seja feito em cerca de 1h25.

 

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