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Cotidiano
04/03/2008 - 23h14

Líder de bando que furtou BC de Fortaleza diz que ficou com R$ 5 milhões

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KAMILA FERNANDES
da Agência Folha, em Fortaleza

Apontado pelas investigações da Polícia Federal como líder da quadrilha que assaltou o Banco Central em Fortaleza em 2005, Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão, 41, admitiu nesta terça-feira, em depoimento à Justiça Federal, ter ficado com R$ 5 milhões do furto. Ele negou, porém, que tenha sido o chefe da quadrilha.

O papel, segundo ele, foi desempenhado por Luiz Fernando Ribeiro, o Fernandinho, seqüestrado e morto dois meses depois do assalto, mesmo tendo pago o resgate. Fernandinho, segundo Alemão, teve a idéia, recrutou os participantes e financiou tudo.

Alemão afirmou ter sido apenas mais um entre os 30 que escavaram o túnel que deu acesso à caixa-forte do banco. Segundo ele, o rateio do assalto foi igual para todos os participantes, distribuído em dez sacos de R$ 500 mil para cada um, à exceção de Fernandinho, que, segundo ele, ficou com mais (cerca de R$ 17 milhões).

Alemão foi preso na semana passada, no Distrito Federal. Ele disse ter fugido de carro, uma L200 comprada com o dinheiro do furto, indo primeiro a São Paulo, onde ficou só por dois dias, e depois para Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, onde comprou fazendas e montou negócios em nome de laranjas. Todos os bens, avaliados em cerca de R$ 4 milhões, foram indisponibilizados pela Justiça.

Ele prestou depoimento ao juiz da 11ª Vara Federal, em Fortaleza, na manhã de hoje, e logo em seguida foi transferido para o presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS), para onde foram levados outros nove presos acusados de envolvimento com o assalto.

O furto ao Banco Central aconteceu em agosto de 2005. Foram levados da caixa-forte R$ 164,7 milhões em notas de R$ 50, por um túnel de 80 metros escavado a partir de uma casa alugada pela quadrilha.

Antes do assalto, Alemão disse que morava em São Paulo, onde trabalhou primeiro como segurança de empresas privadas e, depois, como camelô. Nesse meio tempo, ele praticou assaltos na Bahia e no Ceará, onde foi condenado. No depoimento, ele afirmou que, ao furtar o Banco Central, pretendia não se envolver mais com crime algum, apesar de usar quatro identidades falsas.

Ele também negou que seja integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Alemão disse não saber se algum funcionário do próprio Banco Central ajudou a quadrilha. Ele afirmou que os dados sobre o esquema de segurança da caixa-forte foram passados por um ex-vigilante do banco que já não trabalhava no local havia dois anos e agora está preso e condenado.

Apesar de negar ter sido o líder da quadrilha, Alemão admitiu ter sido um dos poucos a entrar na caixa-forte do banco: apenas quatro, contando com ele (o preso não revelou os nomes dos demais).

As testemunhas de acusação e de defesa já foram ouvidas e o juiz Danilo Fontenelle Sampaio deverá determinar a sentença nos próximos dias.

 

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