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Cotidiano
07/03/2008 - 13h59

Lula lança obras do PAC e critica violência policial em favelas

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na manhã desta sexta-feira do lançamento das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em favelas do Rio. Durante o evento no complexo do Alemão (zona norte), Lula afirmou que vai voltar "sistematicamente" para visitar as obras e criticou a violência policial nas favelas.

O presidente elogiou a construção de um teleférico no Alemão, uma das principais obras do PAC no conjunto de favelas. "Tudo o que uma mulher quer é uma casinha para morar, quer estudar, ter um marido bonito e um carro. Tudo que um homem quer é trabalhar, ter uma casinha, uma mulher bonita e um carro. Agora imagina você ter tudo isso e ainda ter um teleférico".

Tanto o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) quanto o presidente Lula disseram que voltarão ao complexo em dois anos para inaugurar as obras do PAC. "Eu quero inaugurar essa obra. Eu quero andar no teleférico para saber se ele vai ou não ser bom", disse Lula.

Após afirmar que o PAC "não seria possível se não tivéssemos arrumado o Brasil entre 2003 e 2006", o presidente negou haver interesse eleitoral no projeto.

Segurança

Escoltado sob um forte esquema de segurança que envolvia atiradores de elite em pontos estratégicos, Lula falou sobre a violência no Rio. "Estou cansado de ver o Rio de Janeiro aparecer na primeira página dos jornais e da TV todo dia, como se o Rio simbolizasse violência, como se o Rio simbolizasse bala perdida, bandido e criminalidade, quando 99% desse povo é honesto, decente, trabalhador e quer viver dignamente", disse o presidente, que criticou o uso da força policial em favelas do Estado.

"Nós sabemos que o cidadão que já é bandido não tem que ser tratado com pétala de rosas, mas a polícia para entrar aqui [favela] tem que saber que, antes do bandido, tem mulheres e homens que vivem aqui. Coisa ruim [criminosos] nós sabemos que tem, mas não é porque você encontra um grão de feijão estragado que vai jogar o prato de comida fora. Aqueles que não prestam para viver com a gente, fazemos que nem laranja podre, vamos tirando do pé", afirmou.

Uma das ruas principais de acesso ao complexo do Alemão, a estrada do Itararé ficou totalmente interditada para a passagem de carros. Ao longo da via, que, segundo a Polícia Militar, tem cerca de 1 km de extensão, homens da FNS (Força Nacional de Segurança), da PM e do Exército faziam a segurança do local. Em trechos onde já houve conflitos entre policiais e criminosos do local, soldados da FNS ficaram protegidos por barricadas. A polícia não registrou ocorrências na cerimônia.

Com faixas de apoio às obras do PAC, os moradores do Alemão que foram ao lançamento do PAC usaram a cor branca em roupas, bandeiras e balões. O presidente Lula e a primeira-dama, Marisa Letícia, também vestiram branco.

"O pior já passou para a gente. Agora é só bênção", disse, animada, a auxiliar de escritório Lucidalva Marinho, 44, que mora há 12 anos no Alemão e pediu licença no trabalho para assistir ao discurso do presidente Lula. "É um momento histórico para a comunidade. Está todo mundo otimista".

"Estou adorando, estou doida para começar logo o PAC", disse a promotora de vendas Graciene do Carmo, 42, que mora a cerca de 200 metros do local onde o palco foi montado e disse ter passado a noite assistindo à montagem do palanque. "Acho que o PAC vai dar muita qualidade de vida para a gente. Estou há três meses sem telefone porque a operadora diz que aqui é área de risco e não vem consertar. Por aqui passa caveirão [blindados do Bope] toda hora, já teve gente baleado".

Obras

Em uma área de 1,8 milhão de metros quadrados no complexo do Alemão, o governo federal prevê aplicar cerca de R$ 600 milhões em obras, com contrapartida de R$ 123 milhões do governo do Estado do Rio e R$ 26,7 milhões da prefeitura. As principais delas são as de urbanização --com a construção de sistemas viários, de abastecimento, esgotamento sanitário, drenagem pluvial, coleta de lixo e de iluminação pública-- e a construção de 3.000 novas unidades habitacionais e a melhoria de 5.600 de outras.

Estão incluídos no PAC do complexo do Alemão, também, a instalação de um teleférico com seis estações, para melhorar a locomoção dos moradores do conjunto de favelas do Alemão. Pelo projeto, cabines com capacidade para dez pessoas percorrerão cerca de 2,9 quilômetros a uma altura média de 170 metros. Haverá paradas nos morros do Adeus, Baiana, Alemão, Itararé e Fazendinha, além de um terminal de integração com o sistema ferroviário do Rio em Bonsucesso (zona norte). As obras estão previstas para começar na segunda-feira (10) e têm prazo de dois anos para serem entregues.

Além do Alemão, as obras do PAC também beneficiarão as favelas de Manguinhos e Rocinha.

 

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