Jovens pobres não têm motivos para se envolver com o crime, diz Lula
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que os jovens de comunidades carentes não têm motivos para atuar no crime organizado. Lula citou exemplo próprio, lembrando que teve, em sua infância, condições precárias de vida. O presidente participou do lançamento das obras do PAC em favelas do Rio.
| Andre Mourao/Efe |
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| Lula e Cabral (ao fundo) inauguram obras do PAC na favela de Manguinhos, no Rio |
"Sei o que é a vida de vocês. Mas, em nenhum momento, pensei em fazer algo errado em respeito a minha mãe. Não há razão para desespero, mesmo em situações adversas. Vocês tem muito tempo pela frente. Se eu cheguei à Presidência, por que um de vocês não pode chegar?", disse Lula no complexo de favelas de Manguinhos (zona norte).
O presidente afirmou que as pessoas que moram em más condições de habitação deixam de ser racionais. Por isso, destacou que fará uma intervenção, sem a polícia, com as obras do PAC.
"Se a gente permite que as pessoas morem apinhadas em barracos de dois ou três metros quadrados, onde no mesmo quarto se dorme, se cozinha e se faz algumas necessidades fisiológicas, elas vão deixando de ser racionais e vão virando pessoas irracionais porque não tem nunca uma mão estendida", afirmou.
Pobres x banqueiros
O presidente ressaltou que o único momento em que o pobre é tratado bem é na época da eleição. "Quantas vezes já vieram os presidentes da República às favelas do Rio de Janeiro? O único momento em que pobre, favelados, são tratados como cidadãos de primeira classe é no dia da eleição, quando eles dão mais importância para o pobre que para o rico", disse.
O presidente acrescentou que, após as eleições, os governantes vão "jantar com banqueiros" e deixam de ir às comunidades. "Certamente, vocês nunca viram um candidato falar mal de pobre. Falam mal de banqueiros, falam mal de ricos, mas, depois que ganham, quem é que vai jantar com eles?"
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