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Cotidiano
07/03/2008 - 21h00

Empresário só deixou de ser barrado quando tirou passaporte americano

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da Folha Online

O empresário brasileiro U.R.F. conta que, desde quando consegui tirar passaporte americano, nunca mais foi maltratado em nenhuma alfândega. Leia também o relato de um jovem brasileiro que foi tirado de um ônibus entre França e Espanha.

Os dois relatos são semelhantes ao dos três jovens pesquisadores brasileiros retidos na Espanha neste ano. No último caso, os dois pesquisadores que iam para um congresso de ciências políticas em Lisboa (Portugal), foram obrigados a ficar três dias no aeroporto. O incidente envolveu até o chanceler brasileiro, Celso Amorim, e o embaixador espanhol, Ricardo Peidró.

Leia abaixo o relato do empresário

"Sou um pequeno empresário, residente nos EUA, viajo a negócios para vários países. Até o ano de 2000 eu usava passaporte brasileiro. Ao entrar na Europa via Portugal, Espanha ou Itália, era sempre a mesma história: perguntas e mais perguntas sobre meu destino, hotel, quantidade de dólares etc. Chegar na Alemanha e França sempre foi tranqüilo.

"A partir de 2001, passei a usar passaporte americano. Por coincidência, nunca mais, em dezenas de viagens à Europa, fui questionado por qualquer autoridade imigratória. Minto, fui questionado uma vez: Numa viagem Atlanta/Milão, por distração, apresentei o passaporte brasileiro. O agente ficou surpreso quando viu que eu era brasileiro, perguntando por que eu estava entre os americanos (sic!); quanto dinheiro trazia, quanto tempo ia ficar etc, etc.

"Recentemente, em novembro de 2007, entrei na Espanha. Nenhuma pergunta para minha esposa ou para mim. Em resumo: brasileiros são discriminados na Europa, sim! Esta historia de que a pessoa tenha de carregar um mínimo de dinheiro consigo: seguro médico, comprovação de reserva de hotel é pura balela."

Veja história de estudante brasileiro expulso da Espanha

"Em 2008, meu filho concluiu um curso na França, onde entrou sem nenhum problema. Resolveu pegar um ônibus e ir a Salamanca [Espanha], passar um fim de semana com um amigo português, que lá o aguardava, e em seguida voltar para o Brasil.

"No meio da viagem, os policiais de fronteira pararam o ônibus no meio da noite, revistaram o veículo e mandaram meu filho sair. Sem nenhuma explicação, mandaram o ônibus partir.

"Quando meu filho perguntou o que estava acontecendo, foi empurrado por um dos policiais até uma sala escura e fétida, onde encontrou uma porção de africanos, velhos e crianças, Todos assustados, famintos e sem direito de ir ao banheiro. Foram eles que explicaram o provável motivo dos guardas terem-no empurrado para aquele lugar.

"Vendo a situação de penúria das pessoas, meu filho ofereceu-lhes o lanche que havia levado para a viagem. A fome era tanta que os adultos não deixaram sobrar nenhuma migalha e, agradecidos, o alertaram pra que tivesse cuidado ao falar com os guardas.

"Não demorou para aparecerem com um papel que meu filho deveria assinar sem ler. Quando se recusou e disse que não assinava nada nestas condições, o guarda o empurrou dizendo-lhe que ali ele não tinha escolha. Mas diante dos argumentos de advogado especializado em direito internacional, os guardas não tiveram meios de evitar. Ao ler, viu que ele estava assinando uma declaração de que tinha recebido assistência consular, e outras barbaridades.

"Como ele poderia compactuar com tanta mentira assinando tal documento? Ao dizer isto ao guarda, imediatamente os africanos pediram-lhe que assinasse para evitar maiores represálias. Percebendo o pânico do pessoal, assinou e foi posto num ônibus de volta à França na manhã seguinte.

"Donde se conclui que o conceito de bons tratos do povo espanhol, retratado nas declarações deste que se diz diplomata, é muitíssimo diferente do nosso."

 

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