Jornalista foi humilhado e teve objetos apreendidos em Londres; leia relato
da Folha Online
O jornalista Rodrigo Correia, 28, relata que foi humilhado em Londres há pouco mais de um ano: "o que era ser a concretização de um sonho, tornou-se um pesadelo", diz. Segundo ele, a Imigração do Reino Unido, apesar de toda a documentação levada, barrou sua entrada e me convidou-o a deixar o país. "Não fiquei nem 12 horas na cidade em que passaria um mês", afirma.
O caso é semelhante ao dos três jovens pesquisadores brasileiros retidos em na Espanha neste ano. No último caso, os dois pesquisadores que iam para um congresso de ciências políticas em Lisboa (Portugal), foram obrigados a ficar três dias no aeroporto. O incidente envolveu até o chanceler brasileiro, Celso Amorim, e o embaixador espanhol, Ricardo Peidró.
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Leia abaixo o relato de Rodrigo Correia
"A viagem à Europa era um antigo sonho meu. Especificamente queria conhecer Londres, cidade tida como "cosmopolita" e que recebe "gente de todas as tribos e culturas de braços abertos", conforme anunciava a publicidade da agência. Pois então, me esforcei bastante e pude juntar o dinheiro para dar entrada no STB, agência recomendada por várias pessoas. Comecei a pagar o curso de inglês e a estadia quase um ano antes da partida. Quitei tudo antes da viagem. A expectativa era grande. Separei também cerca de R$ 4 mil para os gastos lá (comprei libras, euros, dólares e deixei o cartão de crédito com limite suficiente para arcar com meu um mês em Londres).
Na espera da viagem, não desejava mostrar aos outros uma euforia que poderia indicar presunção ou arrogância. Apesar disso, entrei em centenas de páginas da internet buscando aprender mais sobre o Reino Unido, ouvia diariamente os Cds do curso de inglês que fiz anos antes, emprestei celular que funciona naquelas terras de uma amiga, peguei um cachecol de um outro amado, comprei passagens áreas para me deslocar para França, Itália e Espanha e me ative cuidadosamente a todos os trâmites necessários para que aquela viagem fosse inesquecível. É bem verdade, que isso não deixou de acontecer.
No aeroporto, me contive para não me desmanchar em lágrimas no momento de despedida de meus pais e de minha namorada. Mesmo assim, alguma água insistiu em rolar dos meus olhos. Inevitável. Era o momento da despedida de meus amados e a partida da tão esperada viagem.
Imigração
Meu vôo teve uma conexão em Madri. Na chegada à capital espanhola sentia o incomodo de não ter conseguido efetivamente dormir, talvez pela exacerbada expectativa ou mesmo por uma dor que sentia de uma ferida na região da cintura. Pois então, em Madri peguei outro vôo, agora da companhia British Airlines.
Cheguei na cidade cosmopolita muito feliz e entusiasmado, claro, ainda no aeroporto. Tinha nas mãos um sobretudo. Seguia o passo frenético dos outros passageiros até a saída do aeroporto. Já pensava em pegar o metrô ou um taxi para chegar na casa de minha hospedeira, a quem eu iria presentear com lembranças do Brasil. Ainda tinha que encarar uma formalidade: a passagem pela Imigração do Reino Unido. Foi aí que tudo foi virando de ponta-cabeça, um verdadeiro inferno.
Na ida ao balcão da Imigração (são vários, lado a lado), eu me sentia seguro, calmo e sereno. Estava tranqüilo porque segui estritamente todas as recomendações que foram dadas, sejam dos amigos ou agência de viagem. Tinha em mãos, em espécie ou no cartão, dinheiro suficiente para me virar lá, provas da estadia na casa da família e da matrícula do curso e até a passagem de volta. Cuidadoso que sou, pedi ao meu trabalho que expedisse uma carta confirmando que trabalho lá. Levei holerites e o recibo de férias para caracterizar definitivamente que estou muito bem empregado no Brasil.
Continua aguardando. Ao ouvir o "next", fui ao encontro de uma atendente fria, burocrática e com um olhar que parecia me ver como ser humano de segunda categoria. Respondi às perguntas calmamente. Algumas pedi pra que ela repetisse, pois não entedia seu "accent" britânico. De repente, ela me pediu para que eu sentasse e me entregou uma guia que dizia algo como "suas respostas não me convenceram; precisa passar por um outro avaliador". Naquele momento já sentia uma grande perturbação, pois outras pessoas que estavam na fila eram entrevistadas rapidamente e já eram liberadas. Esperei sentado meia hora. Depois, perguntaram se eu preferia uma intérprete para a língua portuguesa. Respondi que sim, já que, se poderia existir alguma falha de comunicação, este perigo deveria ser totalmente evitado.
Outra atendente disse que precisava revistar minha mala. Fomos ao local das bagagens. Não a vi mesmo depois da esteira passar pelos meus olhos por dez minutos. A funcionária do governo me escoltou até a companhia área, onde informaram que a mala havia sido perdida e que chegaria com atraso.
Humilhação
Comparado ao que iria passar dali em diante, o atendimento da Imigração era, até então, o de "primeira classe". Fui levado a um lugar feio, com um monte de salas com as paredes sujas, com divisórias e com vidros. Pelo menos, seis câmeras filmavam cada centímetro do local. Ainda lá e aguardando o que seria feito de mim, me surpreendi com a visão de um homem, com seus 40 anos e os cabelos descoloridos, deitado nas cadeiras dispostas lado a lado como se ali estivesse por longas horas. Depois dessa visão, não demorou muito para a funcionária tirar a impressão digital de todos os meus dedos, duas vezes. Logo em seguida, disparou o flash e uma foto foi tirada do meu rosto, cuja expressão denunciava extrema surpresa com toda aquela situação. Na cadeira onde sentei para ser fotografado, o presságio do mal: o assento estava preso ao chão por uma corrente. A esta altura pensava eu: "Será que sou um terrorista?".
Demorou mais uma hora para que a primeira atendente, aquela que me enxergava como um ser inferior, voltasse, agora com uma intérprete. Ela me fez dezenas de perguntas, várias que já tinha feito antes. Parecia querer buscar contradições aonde não existia, pois falei sempre a mais absoluta verdade. Repeti que a viagem foi proporcionada graças às minhas economias, que moro com meus pais, que tenho um filho que fará dois anos e que trabalho no mesmo emprego desde 2001. Comprovei a renda suficiente para ficar no país e voltei a mostrar todos os documentos preparados pela agência. Naquela altura, sentia que a entrevistadora parecia desprezar minhas alegações. Sentia que ela queria me barrar de qualquer forma. E fará tudo para conseguir o seu intento, como se uma meta de candidatos a imigrantes ilegais (preferencialmente vindos de um país terceiro-mundista chamado Brasil) precisava ser atingida custe o que custar.
Foram duas entrevistas com a colaboração da intérprete. No intervalo entre as duas, tive que seguir o exemplo do homem que vi logo na entrada daquele lugar sujo. Deitei-me nas cadeiras já em total desalento. Rezava para me acalmar, pois sabia que não tinham nenhum motivo para me barrar. A sensação de solidão era extrema. Estava confinado, detido, preso como queiram. Não podia sair, tomar um ar puro ou sequer mexer na minha bolsa. E por falar em bolsa, os agentes do Reino Unido finalmente conseguiram localizar o paradeiro da mala extraviada. Ela, que era novíssima, estava imunda e com uma das rodinhas quebradas. Não demorou cinco minutos e fui obrigado a abri-la. Os agentes mexeram nela, buscando algo que definitivamente pudesse sentenciar-me. Nada acharam, entretanto.
A parte mais humilhante, porém, foi quando eles mexeram na minha bagagem de mão, uma mochila onde portava notebook, filmadora e câmera fotográfica. Lá também estavam as cartas entregues pelos meus amigos na festa de despedida. Havia ainda um caderninho dado pela minha namorada, que prometemos revezarmos na escrita de palavras carinhosas. Pois bem, tomaram os cartões e eles simplesmente desapareceram. O pior foi com o caderninho, que, nas mãos da atendente (a "superior"), era alvo de questionamentos. A mulher, de cerca de 30 anos e com um distintivo da Imigração, perguntou-me secamente (o que foi logo repetido em português pela outra mulher): "Diga o que está escrito nesse caderno". Não deu pra segurar tamanha humilhação, mas tive de respirar fundo para dizer que eram as palavras de minha namorada, desejando boa viagem e que, na volta dos 40 dias, ela me aguardaria ansiosamente (isso mesmo, no caderno também estava especificado o meu retorno, impossibilitando de vez qualquer possibilidade de poderem me acusar de pretender ficar lá por mais tempo além do previsto).
O veredicto pronunciado depois de quatro horas, dois cartões telefônicos por R$ 50 e uma série de humilhações foi até suave: "Você não poderá entrar no país. Um vôo o levará de volta ao Brasil em poucos momentos". A agente ainda disse que à decisão não caberia recurso de nenhuma espécie, nem com a interferência da Embaixada. Fitei bem os olhos dela, e disse que eles estavam cometendo uma tremenda injustiça, que eu iria denunciar o tratamento que me foi dado e até o sumiço das cartas, que, pra mim, não têm preço. Ignorando minhas palavras, ela disse algo como "Thanks, very much" e virou as costas.
Meus últimos momentos em Londres foram com meu passaporte apreendido e sob a escolta de dois seguranças, que, por sinal, eram até simpáticos. Não sei se sintoma de uma variável da "Síndrome de Estocolmo", mas a um deles queria até presentear com as lembranças que iriam ser dadas à minha hospedeira. Isso porque ele foi ao menos cortês e não me destratou (uma grande coisa naquele momento). Num camburão fui levado à outra entrada do aeroporto. Senti o frio de Londres pela primeira vez e por alguns minutos. No veículo, as grades impediam qualquer remota tentativa de fuga. No avião (que nunca quis entrar) fui o primeiro a sentar. Poltrona 41J. Meu passaporte, disseram os dois seguranças, foi entregue ao piloto do avião e só seria devolvido quando chegássemos em terra firme, em São Paulo, no Brasil."
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Especial

carimbaram meu passaporte e me deram uma carta que alega que fui remetida por faltar documentos que justifiquem minha estadia e motivos, porém esta parte não é preenchida e voltei humilhada, rejeitada, e com dinheiro jogado fora. Pior é que eles te enfiam no primeiro voo que sai, se vc mora no rio de janeiro e tem um voo para recife eles te pôe la sem importa com suas condições fisicas psicológicas ( ja que é uma tortura o que passei) e nem financeiras..somos cidadões honesto e não bandidos, bandidos de colarinho branco tem passagem livre..vamos acordar e deixar a ESpanha falir no que se diz respeito a turismo..escolham outros lugares; tem lugares magnificos na Europa, vamos mostrar a eles que não dependemos deles para nada, se possivel escolha outro país para fazer escala..eu tô fora, vou morar na europa, mas ESpanha ..nunca mais!!!
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Com o presidente que temos, alguem espera respeito de algum pais culturalmente evoluido??
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