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Cotidiano
09/03/2008 - 22h17

Argentina diz que também sofreu humilhação ao ser barrada no Brasil

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Colaboração para a Folha Online

Faz mais de três anos, mas a argentina Maria Victoria Gonzales, 23, ainda chora ao lembrar de quando foi impedida de entrar no Brasil, depois de uma viagem à terra natal. "Foi horrível, fiquei desesperada. Tentei mostrar outros documentos, as inscrições que tinha feito para os vestibulares no Brasil, mas ele [agente da PF brasileira] não acreditava. Eu só tinha 18 anos e não tinha idéia como voltar atrás ia ser complicado."

Gonzales mudou-se para Salvador (BA) com apenas 2 anos de idade e morou lá por 18 anos. Hoje, porém, ela prefere a Argentina ao Brasil. "Sinto saudades do mar e do acarajé, mas, se colocar Argentina e Brasil na balança, vejo que a primeira opção hoje é a melhor para mim."

Era dia 20 de fevereiro de 2005 quando o ônibus no qual a argentina viajava foi parado por agentes da PF (Polícia Federal) de Uruguaiana (RS). Ela diz que, durante a inspeção, um agente cobrou seu cartão de entrada e saída para verificar há quanto tempo ela havia deixado o Brasil --para que o visto continuasse válido, o espaço deveria ser menor que dois anos, diz ela.

Como não tinha o documento, Gonzales apresentou a identidade de estrangeira emitida pelo governo brasileiro e disse que, na ida a Buenos Aires, que ocorrera um mês antes, não havia recebido nenhum cartão de entrada e saída. Diante da recusa, segundo Gonzales, o agente da PF apreendeu a identidade de estrangeira dela e a cortou, com a ajuda de uma tesoura. "Fui muito humilhada."

Gonzales afirma que, durante o tempo em que morou em Salvador, foi à Argentina uma vez por ano, de avião, e nunca teve problemas. Em 2005, ela viajou de Buenos Aires a Salvador de ônibus porque, na ida, havia ido --também de ônibus-- de Porto Alegre (RS), onde prestou vestibular, para Buenos Aires.

Ele diz que, no momento em que foi barrada, foi informada pela PF de que os documentos apresentados por ela não comprovavam sua residência no país, nem quanto tempo estava fora, mesmo depois de ela ter apresentado as passagens de ida e volta do ônibus.

O problema obrigou a argentina a permanecer no país com um visto de turista e documento de permissão para entrada no país por sete meses. Sua nova identidade de estrangeira só chegou um dia antes de ela prestar vestibular para a Universidade Estadual da Bahia. "Ia a PF de Salvador quase todos os dias para receber o documento, mas nunca estava pronto. Lá eu sempre era tratada como cachorro, como se estivesse fazendo algo errado."

Gonzales e a família não são naturalizados brasileiros, o que, de acordo com ela, nunca foi um problema. "Sempre fiz tudo normal com a identidade de estrangeira. Mas é claro que havia preconceito, talvez por eu ser argentina."

Como não foi aprovada em nenhuma universidade brasileira, Gonzales retornou a Buenos Aires em 2006. Lá ela cursa ciências políticas na Universidade de Buenos Aires e trabalha como operadora de telemarketing. Ela chegou a voltar ao Brasil em abril daquele ano, mas ficou apenas dois dias. "Se as condições melhorassem no Brasil, pensaria em voltar."

Por telefone, a Folha Online tentou entrar em contato com a delegacia e o setor de imigração da PF de Uruguaiana, com a PF de Salvador e com a Superintendência Regional da PF no Distrito Federal, mas não encontrou ninguém que pudesse comentar o caso.

Comentários dos leitores
Jucy santos (1) 02/07/2009 22h43
Jucy santos (1) 02/07/2009 22h43
devemos erguer nossa cabeça e lutar como cidadões dignos..Fui para Bélgica em maio/2009 e infelizmente fiz escala em Madri..é absurdo a forma como eles tratam brasileiros e quem diz que não é preconceito é porque nunca foi barrado por eles , é nitido a indiferença e o pouco caso.
carimbaram meu passaporte e me deram uma carta que alega que fui remetida por faltar documentos que justifiquem minha estadia e motivos, porém esta parte não é preenchida e voltei humilhada, rejeitada, e com dinheiro jogado fora. Pior é que eles te enfiam no primeiro voo que sai, se vc mora no rio de janeiro e tem um voo para recife eles te pôe la sem importa com suas condições fisicas psicológicas ( ja que é uma tortura o que passei) e nem financeiras..somos cidadões honesto e não bandidos, bandidos de colarinho branco tem passagem livre..vamos acordar e deixar a ESpanha falir no que se diz respeito a turismo..escolham outros lugares; tem lugares magnificos na Europa, vamos mostrar a eles que não dependemos deles para nada, se possivel escolha outro país para fazer escala..eu tô fora, vou morar na europa, mas ESpanha ..nunca mais!!!
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regiane fernandes (1) 04/04/2009 19h35
regiane fernandes (1) 04/04/2009 19h35
ola fico muito chatiada com a maneira q somos tratados fora e dentro do brasil,fui inadimitida na frança e sofri uma pressao piscologica muito grande cinceramente fui humilhada e vejo q isto acontece com muitos e nossos representantes nao fazem nada p mudar esta ma fama q a sobre os brasileiros,e mulher jovem agora ja nao pode mas viajar sozinha q e vista como prostituta,isto nao esta certo temos q mudar isto manifestar pois infelizmente so somos ouvidos pelo grito,foi q senti vontade de faz na frança gritar mas como ne si nem banheiro podiamos usar,nao tinhamos direito a telefonar p ninguem foi absordo a abordagem desta gente q pensa q esta acima do bem e do mal.. 7 opiniões
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M Mig (1641) 24/09/2008 19h19
M Mig (1641) 24/09/2008 19h19
Srs.
Com o presidente que temos, alguem espera respeito de algum pais culturalmente evoluido??
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