Sete turistas e dois tripulantes somem após naufrágio no Pantanal
da Folha Online
da Agência Folha, em Cuiabá
Das nove pessoas que estão desaparecidas desde o naufrágio da chalana Sami Tôa-Tôa no rio Cuiabá, ocorrido por volta das 4h deste domingo, sete são turistas e dois são tripulantes. Os turistas são de um grupo de amigos que freqüentava a AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) de Cuiabá (MT) para jogar futebol e, anualmente, organizava uma viagem para o Pantanal, para pescar.
Entre eles há um funcionário do Banco do Brasil em Cuiabá, empresários, professores universitários e um dentista. O dentista foi identificado como Osmair Ferreira de Freitas, que viajava com o pai --os dois estão desaparecidos. Outro identificado é Ítalo Scarabottolo, 67, italiano radicado no Brasil desde os 19 anos e dono de uma empresa em Cuiabá --também desaparecido.
Os nomes de todos os sobreviventes e desaparecidos ainda não foram confirmados.
O grupo foi por terra a Porto Cercado, povoado que concentra hotéis procurados por quem visita o Pantanal, e, de lá, embarcou na chalana --barco com estrutura de hotel. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, o naufrágio aconteceu por volta das 4h, uma hora e meia depois de a chalana ter deixado uma fazenda próxima ao Sesc Pantanal, onde eles estavam hospedados. Com os 12 amigos seguiam dez tripulantes.
O local do naufrágio é, segundo o coronel Arilton Azevedo, comandante dos Bombeiros em Mato Grosso, "infestado" por cardumes de piranhas.
Os trabalhos de busca tiveram que ser suspensos às 19h30 deste domingo, pois o local onde o acidente ocorreu é de difícil acesso e a visibilidade, à noite, é ruim. Outro problema é a correnteza, que impediu os mergulhadores de chegar à chalana, neste domingo.
O barco está a seis metros de profundidade do rio Cuiabá. Neste domingo, restos da embarcação foram estabilizados, sinalizados e içados para um ponto mais raso, perto da margem, mas ainda não se sabe se alguma das pessoas desaparecidas ficou presa no local. Amanhã (10), com o apoio de um barco, os bombeiros pretendem erguer a chalana.
Neste domingo, os bombeiros trabalharam com equipes por terra, em barcos e em helicópteros da Marinha e da PM (Polícia Militar), além dos mergulhadores.
Sobreviventes
Os 13 sobreviventes conseguiram nadar até a borda do rio, que tem aproximadamente 150 metros de largura. Por volta das 12h, três deles chegaram à fazenda São Miguel, à beira do rio, e pediram para usar o telefone.
Neuza Alves Ferreira, 39, empregada da fazenda, diz que um deles estava "transtornado". "Ele chorava muito. Disse que tentou ajudar um amigo a se salvar, mas ele tinha escapado [levado pela correnteza]." Ainda segundo Ferreira, pela manhã funcionários da Semi Tôa-Tôa --proprietária da chalana-- percorreram as propriedades próximas ao acidente pedindo ajuda à vizinhança, caso vissem sinais de possíveis sobreviventes.
Para os bombeiros, alguns sobreviventes disseram ter ouvido um forte ruído antes de a chalana começar a afundar, o que aconteceu em alguns segundos.
De acordo com a Capitania dos Portos de Mato Grosso, os documentos da embarcação estavam regularizados.
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