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Cotidiano
10/03/2008 - 00h13

Impedido de entrar na Inglaterra, brasileiro é escoltado até a Espanha

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Colaboração para a Folha Online

O brasileiro Marcelo Santana, 39, relata que foi impedido de entrar na Inglaterra em 2003, quando chegou ao aeroporto de Heathrow, em Londres. Antes de chegar ao país, ele havia viajado por quase 40 dias pela Espanha e por Portugal. Para ele, houve discriminação.

"Na sala tive o retrato mais exato da situação: duas pessoas de origem africana --um deles com trajes típicos-- e uma de origem chinesa, além de mim. Foi a primeira 'coincidência': todos tipos étnicos, o que deve ser fácil verificar porque todos devem ter enfrentado algum tipo de processo da imigração inglesa. Passados uns 15 minutos, voltou a oficial com uma interprete e fomos nós a outra salinha, onde me foi informado que eu deveria responder a todas as perguntas em uma nova entrevista e que tudo seria anotado, palavra por palavra."

Leia abaixo o relato de Marcelo Santana

"Sou cidadão brasileiro e, depois de passar quase 40 dias em turismo pela Espanha e Portugal, iniciei uma outra etapa da viagem saindo de Barcelona até Londres, onde poderia permanecer até o dia 18 de setembro, mas ficaria somente até o dia 15 (passagem comprada e paga) porque seria minha base para conhecer a França e até outros países, mas que foi abreviada por um processo que julguei desastrado e vexatório.

Desembarquei em Londres no dia 29 de julho por volta das 15h e na maior tranqüilidade do mundo fui procurar o serviço de imigração, afinal não tinha a menor intenção de permanecer no país, como posso provar e eles mesmo relataram em meu depoimento.

Tinha uma passagem de volta ao Brasil pela British Airways para 15 de setembro às 21h55; 600 pounds onde 400 era em dinheiro e os outros 200 em traveler checks; dois cartões de crédito com limites de R$ 9.500 e R$ 3.500; US$ 200; 100 euros em dinheiro; e o carimbo da comunidade européia que obtive na Espanha --o que me daria o direito de permanecer na Europa até o dia 18 de setembro. Não mantinha familiares ou qualquer outro tipo de vínculo com a Inglaterra. Somente estava com a vontade de fazer turismo, manter contato com a cultura inglesa e praticar meu inglês.

O único problema, se é que se pode dizer ser um problema, é que sou brasileiro e moreno. Logo no início, parece que o fato de ver meu passaporte já levou uma oficial a chamar uma intérprete que falava português, para ter certeza de que eu estava entendendo, e iniciou um enorme interrogatório sobre minhas intenções em visitar a Inglaterra e minhas condições financeiras --se já havia pago a passagem, se estava utilizando o cartão e cidades que eu tinha visitado na Espanha e Portugal.

Respondi de maneira satisfatória, mas ela cismou comigo e, depois de me dar um chá de cadeira, quis ver todo o dinheiro que eu supostamente teria, o que em minha opinião foi apenas um pretexto para ver minha bagagem, porque havia declarado que tinha dividido o dinheiro e que uma parte tinha ficado nas malas.

Tinha minha bagagem de mão, minha pochete e minha carteira, que nada tinham a ver com o conteúdo que ela pediu para verificar. Depois de pegar minhas duas malas, fomos a uma sala (somente eu e ela, sem intérprete), onde ela começou a revirar minha mala e não pediu que eu a mexesse (prática que não foi seguida mais tarde pela policial da detenção que só para colocar minha pochete dentro da mala, pediu que eu mesmo a abrisse).

Ela ainda revirou meu livros (onde viu que eu guardava o dinheiro) e, mexendo, encontrou uma carta de minha mãe, que pegou sem me consultar. Não tive direito de manifestar ou sequer de defesa e, quando tentei falar algo, ela mandou que eu me afastasse.

Logo em seguida, depois de pegar todos os meus folders e mapas ela pediu minha carteira, minha pochete e bagagem de mão, onde ela retirou todos os meus contatos de amigos que conheci na Espanha, uma pasta de um curso de aperfeiçoamento que fiz por lá e uma cópia de meu currículo. Depois de fazer esta espécie de busca e apreensão, pediu que fechasse minhas malas e me encaminhou a recepção novamente.

Após alguns minutos ela voltou e me conduziu a outra sala, onde tirou meu retrato e me entregou um formulário de detenção --sem qualquer esclarecimento, sem poder telefonar para buscar algum amparo. Fiquei em uma sala onde fui revistado e os meus documentos foram deixados juntos com minha bagagem no meio do corredor --pelo menos a policial me informou que o formulário justificava o período que eu ficaria parado sem seguir viagem, e não era prisão.

Ela começou a fazer as mesmas perguntas que havia feito na primeira entrevista, insistindo em perguntas sobre as evidências encontradas em minhas coisas: o material do curso de espanhol, uma revista da Inglaterra que obtive na curso onde estudava inglês no Brasil, entre outras coisas, perguntando preços e condições. Não havia nada de concreto.

Novamente creio ter derrubado todas as supostas evidências, mas acho que contra má intenção não existe argumentação e, até o final do interrogatório, eu poderia apresentar qualquer tipo de documentação e não seria suficiente.

Depois da 2ª 'entrevista', tive que acompanhar a oficial até a sala da detenção, onde ela voltou muito tempo depois com uma passagem da Iberia, informando que eu voltaria a Barcelona e que o visto que me fora dado previamente havia sido revogado. Pediu que me apressasse porque eu pegaria um vôo que partiria às 19h30 e, de Barcelona, seguiria ao Brasil. Ela me acompanhou até o avião e entregou meu passaporte e minha passagem para a aeromoça --o passaporte somente poderia ser devolvido a mim na Espanha.

Embarquei normalmente, mas aí veio a maior de todas humilhações: saí do avião escoltado por policiais e saí num camburão, como preso, até o posto da polícia. Foi a maior humilhação de minha vida e, quando expliquei o ocorrido às autoridades espanholas, especialmente o fato de ter um visto da comunidade européia válido, entregaram-me a passagem e o passaporte, deixando-me livre para pegar o suposto vôo ao Brasil.

Descobri que não havia vôo algum e, pior, que não haveria vôos ao Brasil até o dia 8 de agosto, mais de uma semana depois. Mas recebi a promessa da funcionária da companhia aérea que eu embarcaria no primeiro vôo ao Brasil que sairia às 21h do dia seguinte, o que me levou a dormir no aeroporto, pois deveria confirmar com seus superiores às 6h30 --e também não adiantaria procurar um lugar tão tarde da noite, o que me deixou com medo de permanecer andando na Espanha com um visto negado.

No dia seguinte, pela manhã, voltei ao Brasil.

Não sei direito o que fazer para cobrar justiça, afinal, além dos prejuízos financeiros (passagem que perdi para chegar à Inglaterra e não entrar) e físicos (estresse de tantas horas de vigília na Inglaterra e no aeroporto de Barcelona), o meu prejuízo moral, por sair enxotado da Inglaterra e chegar preso na Espanha, não tem preço que recupere a honra.

Foi ela que me chamou a expor a situação constrangedora que vivi e que poderia ocorrer a qualquer outro brasileiro que tivesse o sonho de conhecer a terra de seus ídolos da música ou das artes e seja tratado como bandido e não como turista, coisa que seguramente não ocorreria aqui no Brasil, pelo menos não gratuitamente ou pela cor de pele, religião etc."

Comentários dos leitores
Jucy santos (1) 02/07/2009 22h43
Jucy santos (1) 02/07/2009 22h43
devemos erguer nossa cabeça e lutar como cidadões dignos..Fui para Bélgica em maio/2009 e infelizmente fiz escala em Madri..é absurdo a forma como eles tratam brasileiros e quem diz que não é preconceito é porque nunca foi barrado por eles , é nitido a indiferença e o pouco caso.
carimbaram meu passaporte e me deram uma carta que alega que fui remetida por faltar documentos que justifiquem minha estadia e motivos, porém esta parte não é preenchida e voltei humilhada, rejeitada, e com dinheiro jogado fora. Pior é que eles te enfiam no primeiro voo que sai, se vc mora no rio de janeiro e tem um voo para recife eles te pôe la sem importa com suas condições fisicas psicológicas ( ja que é uma tortura o que passei) e nem financeiras..somos cidadões honesto e não bandidos, bandidos de colarinho branco tem passagem livre..vamos acordar e deixar a ESpanha falir no que se diz respeito a turismo..escolham outros lugares; tem lugares magnificos na Europa, vamos mostrar a eles que não dependemos deles para nada, se possivel escolha outro país para fazer escala..eu tô fora, vou morar na europa, mas ESpanha ..nunca mais!!!
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regiane fernandes (1) 04/04/2009 19h35
regiane fernandes (1) 04/04/2009 19h35
ola fico muito chatiada com a maneira q somos tratados fora e dentro do brasil,fui inadimitida na frança e sofri uma pressao piscologica muito grande cinceramente fui humilhada e vejo q isto acontece com muitos e nossos representantes nao fazem nada p mudar esta ma fama q a sobre os brasileiros,e mulher jovem agora ja nao pode mas viajar sozinha q e vista como prostituta,isto nao esta certo temos q mudar isto manifestar pois infelizmente so somos ouvidos pelo grito,foi q senti vontade de faz na frança gritar mas como ne si nem banheiro podiamos usar,nao tinhamos direito a telefonar p ninguem foi absordo a abordagem desta gente q pensa q esta acima do bem e do mal.. 7 opiniões
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M Mig (1641) 24/09/2008 19h19
M Mig (1641) 24/09/2008 19h19
Srs.
Com o presidente que temos, alguem espera respeito de algum pais culturalmente evoluido??
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