"Ri ao ouvir embaixador dizer que Barajas não é prisão", diz brasileiro
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
Rir foi a reação que o publicitário Mirton de Paula, 35, disse ter tido ao saber que o embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, disse que os brasileiros retidos no aeroporto de Barajas, em Madri, "não estão, de modo algum, em situação de detenção ou de prisão". "Isso não é verdade. Nem acesso à advogada que minha família tinha contratado na Espanha eu tive. Sofri uma pressão psicológica terrível."
O publicitário chegou a Madri em um vôo da BRA no dia 28 de maio de 2007, determinado a visitar amigos em Madri, Barcelona (Espanha) e França. O amigo que estava com ele, caucasiano, não teve problemas, mas ele, mulato, ficou retido. "Quando entrei no alojamento, vi que era um navio negreiro. Havia dois ou três brancos."
| Arquivo Pessoal |
![]() |
| Mirton de Paula, na França, um mês depois de ser barrado na Espanha |
Ele diz que chegou a Madri com 1.200 euros, dois cartões de crédito internacionais recém-emitidos e uma carta-convite de um amigo da França, ratificada pelo governo francês. O primeiro procedimento foi passar por uma entrevista --"uma farsa", diz ele. Ao final, ele foi informado de que teria que retornar ao Brasil --uma semana depois.
"Eu fiquei desesperado de pensar em ficar uma semana lá [porque a BRA tinha apenas vôos semanais]. Na hora eu puxei o dinheiro e disse que queria comprar uma passagem para um vôo que saísse antes, pedi que pusessem no meu cartão. Nada adiantou. Eles disseram que eu tinha que voltar com a mesma companhia que havia ido. Depois, perguntei porque eu tinha sido barrado, e a funcionária respondeu 'mala suerte' ['azar', em espanhol]."
Na semana em que permaneceu trancado no aeroporto, Paula não pôde mexer na bagagem --teve que ficar com a mesma roupa e tomar banho com o sabonete usado para lavar mãos-- e foi obrigado a comer e dormir na hora determinada pelos guardas. "Eles batem na cama de metal e gritam 'desayuno, desayuno', como quem diz 'quem não comer vai ficar com fome'."
"Eu fiquei sem ação, sempre pensando que poderia ser morto se abusasse demais, se fosse agressivo de alguma forma. Os guardas seguravam as pessoas pelo braço, gritavam. Eu vi um garoto brasileiro de 5 anos sendo chamado de 'porco brasileiro' por ter demorado para pegar uma maçã que caíra no chão."
Depois da experiência do confinamento e de ser escoltado até o avião, Paulo afirma que não volta para a Espanha "nem pago". "Meu conselho é para ignorarem e irem para outro canto."
Por telefone, a reportagem não conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa da Embaixada da Espanha no Brasil, em Brasília.
Leia mais
- Leia relatos de brasileiros impedidos de entrar em outros países
- Chinaglia diz que embaixador deve explicar casos de brasileiros barrados na Espanha
- Tarso nega atrito entre Brasil e Espanha e defende fiscalização sobre estrangeiros
- Ausência de passagem de volta causou deportação de italiano e espanhóis em Salvador
- Com eleição na Espanha, brasileiros perdem
- Saiba quais são os requisitos exigidos para entrar na Espanha
Especial



avalie fechar
avalie fechar
Acabou a crise entre Brasil e Espanha.
Bastou LULA pisar forte e os ESPANHOIS FICARAM QUIETINHOS, QUIETINHOS.
Porque sera que só Itamar com os portugueses e LULA com os Espanhois, ingleses e americanos, é que possuem CARATER E FORÇA PARA BARRAR?
E por falar em Barrar, quem é que FHC barrou?
Ninguem.
Será que éra por medo de sempre estar precisando de dinheiro, e poderia ter um "puxão de orelhas", não barrava nada, e deixava os brasileiros numa sinuca de bico lá fora?
Pelo que sei Consul não saia do Consulado por não ter dinheiro para a gasolina do carro, e não tinha telefone pois fora cortado por falta de PAGAMENTO, êta FHC.
Depois posa de Rainha da Inglaterra.
Parabens LULA, mostrou que nós brasileiros existimos e estamos podendo, as contas dos Consulados e Embaixadas, estão todas em dia, voltamos a ser considerados sérios.
LULA Merece meu voto.
avalie fechar