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Cotidiano
11/03/2008 - 16h57

Exército admite que tráfico ainda atua em morro ocupado por militares no Rio

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TAHIANE STOCHERO
Colaboração para a Folha Online

O Exército admitiu pela primeira vez que o tráfico ainda opera no morro Providência, na Gamboa (zona portuária do Rio), ocupado há quase três meses pelos militares para a realização de reformas em casas da população de baixa renda. Em 18 de fevereiro, o Comando Militar do Leste levou a imprensa à favela para anunciar publicamente que havia expulsado os traficantes.

Em entrevista à Folha Online, o general Rui Monarca da Silveira, comandante da ação na Providência, afirmou que, apesar de não estarem ostensivamente atuando, criminosos vendem drogas a menos de 50 metros de onde soldados patrulham.

Silveira disse que os traficantes atuam atrás da Central do Brasil e da sede do Exército no Rio e há bocas de fumo dentro do morro.

Segundo o general, soldados das Forças Especiais --tropa de elite do Exército, com capacidade de atuação semelhante ao Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais, da Polícia Militar)-- não estão na Providência.

Os militares atuam em esquema especial: são 200 homens em revezamento de seis horas dentro do morro. Na quarta-feira (12), chega um novo contingente militar da 4º Brigada de Infantaria de Minas Gerais, proveniente de São João Del Rei.

Um dos fatores que impedem o controle rígido sobre a criminalidade, aponta o general, é que o Exército não tem poder de polícia para que possa prender suspeitos. Este poder é, segundo a Constituição, autorizado somente pelo presidente da República. "A polícia, que podia aproveitar a situação para realizar operações e combater o tráfico, não está fazendo. A gente não tem como", diz Silveira.

O projeto de urbanização da Providência é de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e obteve R$ 12 milhões em verbas do Ministério das Cidades para reformar 780 moradias, além de escolas e creches.

Em março de 2006, o Exército já havia ocupado o morro para recuperar dez fuzis que haviam sido roubados de um quartel. A presença foi motivo de tiroteios entre soldados e traficantes.

 

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