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Cotidiano
12/03/2008 - 23h38

Estudante que atropelou frentista não responderá por tentativa de homicídio

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da Folha Online

O Ministério Público Estadual retirou o crime de tentativa de homicídio da acusação contra o estudante Caio Meneghetti Fleury Lombardi, 19, que na noite do dia 11 de fevereiro atropelou o frentista Carlos Pereira Silva, 37, no posto onde trabalha, em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo). Nesta quarta-feira, a Justiça atendeu ao pedido da Promotoria.

O universitário foi indiciado pela Polícia Civil por tentativa de homicídio com dolo eventual --quando o autor do delito assume o risco de morte ou lesão à vítima--, tráfico de drogas e dano com periclitação de vida --quando o estrago praticado coloca em risco a vida de outras pessoas. Com a retirada da acusação de tentativa de homicídio, o caso deve ser julgado por uma vara criminal comum.

Lombardi, que dirigia um Vectra, atravessou o canteiro da avenida Independência em alta velocidade e invadiu o posto. O frentista ficou preso sob o carro. Ele teve queimaduras, provocadas pelo óleo e pela água do radiador do veículo.

O estudante havia acabado de sair de um trote universitário e havia tubos de lança-perfume, como mostrou o laudo dentro de seu carro.

Após o atropelamento, o jovem tentou fugir, mas foi impedido pelas pessoas que estavam no posto.

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) para embriaguez mostrou que Lombardi tinha 0,85 gramas de álcool por litro de sangue, quando o permitido é 0,60 gramas. Peritos disseram à polícia que a quantidade de álcool encontrada no sangue do estudante provoca o estado de euforia, mas não causa a perda de consciência.

Lombardi relatou à polícia em seu depoimento que no dia do atropelamento foi abordado por veteranos da faculdade onde ingressou por volta das 10h. O estudante disse ter sido levado por esses universitários, no carro de um deles, para um local onde foi realizado o "pedágio" dos calouros --eles param carros para pedir dinheiro.

Ele disse que foi estimulado a beber, junto com outros estudantes. Lombardi disse que levou três estudantes veteranos para a casa e que, em determinado trecho do trajeto, teria "apagado", que não se lembrava do que aconteceu no posto. Ele negou também que tentou fugir do local do acidente.

As imagens do posto mostram quando Lombardi acelerou o carro, mesmo após atropelar Silva, e quando ele sai e depois entra no carro novamente.

O frentista deixou o hospital no último dia 27 e seu advogado informou que vai processar o estudante por danos morais, materiais e estéticos.

 

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