Em ano eleitoral, Kassab destinará R$ 30 mi para ampliar benefício de bilhete único
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Em ano eleitoral, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM), decidiu ampliar aos domingos e feriados de duas horas para oito horas o período em que o usuário do bilhete único poderá realizar as quatro viagens a que tem direito. A equipe calcula que cerca de 500 mil pessoas devam ser beneficiadas com a medida e o valor para cobrir essa despesa seja de cerca de R$ 30 milhões ao ano.
A medida foi testada domingo (16) e deverá ter início na sexta-feira (21), feriado de Páscoa. De segunda-feira a sábado, as medidas em vigor terão continuidade --período máximo de duas horas para quatro trajetos.
Para usufruir do benefício, batizado de bilhete único Amigão, é necessário que o bilhete tenha sido pré-carregado com quatro passagens, o que equivale a R$ 9,20. Usuários de vale-transporte, do cartão de estudantes, e passageiros com o bilhete descarregado que pagarem na catraca por apenas um crédito não terão direito às integrações.
Segundo o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, a medida era uma reivindicação antiga dos usuários do transporte e só foi possível após a ampliação de medidas antifraude que tiveram início no começo da administração do prefeito e hoje governador José Serra (PSDB), em 2005.
Após regulamentar o uso de até oito viagens com o bilhete (adotada em 2005), e coibir a chamada "janelinha" ou "escadinha" --quando um usuário validava o bilhete e passava pela janela do coletivo ou pela porta para que outro utilizasse as viagens restantes--, em curso em 2006, e realizar cadastro mais rígido para benefícios entre 2006 e 2007, a partir do dia 29 deste mês o usuário do bilhete único só poderá usufruir das quatro viagens caso esteja com o bilhete único carregado.
A partir desta data, os passageiros que tiverem com seus bilhetes descarregados e realizarem a recarga no valor de apenas uma passagem na catraca não terão mais direito à integração. Ou seja, só terão direito a uma passagem das quatro possíveis.
A medida, segundo cálculos da administração municipal, irá reduzir de cerca de R$ 50 milhões a R$ 70 milhões por ano nas fraudes, calculadas em torno de R$ 100 milhões ao ano.
Em 2005 as fraudes representavam algo em torno de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões aos cofres públicos, segundo a secretaria de Transportes.
Restrição
Pelos dados apresentados pela administração municipal, ao menos teoricamente, as medidas anteriores adotadas ainda na gestão Frederico Bussinger na pasta de Transportes resultaram em algo de R$ 150 milhões de economia.
Com base nesses números Kassab foi questionado se não poderia ter adotado o bilhete Amigão antes de 2008. Ele alegou restrições orçamentárias. "Infelizmente não tínhamos condições financeiras. Tinhamos outras prioridades", disse.
Moraes afirmou que seu antecessor, Bussinger, adotou uma série de medidas, no entanto, alegou questões tecnológicas para colocar o "Amigão" em funcionamento antes. "Eu assumi em final de agosto e assim que analisamos essa série de medidas e a implantação só no setor de computação dura três meses", afirmou.
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