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Cotidiano
19/03/2008 - 10h40

Gaeco acusa ex-legista de manter clínica de aborto em São Paulo

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da Folha Online

O ginecologista Isaac Abramovitch foi preso terça-feira (18) suspeito de manter uma clínica de aborto na rua João Moura, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). Conforme o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público, as gestantes pagavam de R$ 1.500 a R$ 10 mil pelo procedimento.

Por telefone, a reportagem entrou em contato com o plantão do 14º DP (Pinheiros), onde o caso foi registrado e o médico foi preso, para saber se ele possui advogado. Foi orientada a procurar a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Segurança Pública, que disse não ter dados sobre a prisão, às 10h30.

Segundo o Gaeco, o caso começou a ser investigado no final do ano passado, graças à denúncia dos familiares de uma gestante que teve complicações, após o procedimento.

No momento em que os promotores do Gaeco e policiais civis foram à clínica, havia cerca de cinco gestantes no local. Elas prestaram depoimento à Polícia Civil e negaram a disposição a abortar --se confessassem, poderiam ser responsabilizadas criminalmente pelo ato.

Conforme dados do Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio, durante a ditadura, Abramovitch era legista do IML (Instituto Médico Legal) e assinou diversos laudos que corroboravam versões mentirosas dadas pelos militares a mortes com motivação política.

Parede falsa

De acordo com o promotor Arthur Lemos Junior, aparentemente, a clínica tinha somente uma sala de espera e um consultório. No entanto, atrás de uma parede falsa, havia mais uma sala de espera e outras de atendimento onde seriam realizados os abortos. Do setor reservado, o médico controlava a movimentação no imóvel com um sofisticado sistema de vigilância, ainda segundo o promotor. Junior classificou as condições de higiene de "muito ruins".

No local foram apreendidos materiais ligados à prática de aborto, como aparelhos de sucção, seringas e anestésicos, além de diversos medicamentos com prazo de validade vencido, três armas --uma pistola calibre 765 com silenciador e dois revólveres-- e munição.

 

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