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Cotidiano
19/03/2008 - 23h29

Mãe de garota torturada em GO deve ser indiciada como cúmplice

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SEBASTIÃO MONTALVÃO
Colaboração para a Agência Folha, em Goiânia
KARIN BLIKSTAD
da Agência Folha

A mãe da garota de 12 anos vítima de tortura em Goiânia (GO) também deverá ser indiciada pela polícia. De acordo com a delegada Adriana Accorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, Joana Darc da Silva, 42, tem responsabilidade e deve ser incluída no inquérito como cúmplice dos crimes de cárcere privado e tortura.

Segundo Accorsi, é pouco provável que ela não soubesse das agressões. "Ela me disse que esteve com a filha no dia 27 do último mês. E, nessa data, pelo que pudemos avaliar nas cicatrizes que a menina apresenta, ela já estava machucada. E acho muito pouco provável que uma mãe não notasse isso."

Além disso, Accorsi diz que a mãe recebia dinheiro de Sílvia Calabresi Lima, 41, suspeita de tortura. "Ela confirmou que pelo menos duas vezes recorreu a Sílvia para pedir dinheiro. Disse que precisava pagar a conta de luz. Mas, pelo que estamos apurando, esses pagamentos eram freqüentes, até mensais."

Os pagamentos, segundo a delegada, giravam em torno de R$ 100. "Eram valores irrisórios. No mínimo, a mãe foi omissa ou conivente com a situação. Por isso vejo grandes possibilidades de indiciá-la por situação bárbara. No meu entendimento, ela foi cúmplice."
Accorsi diz que o pai, que é separado, era o único inocente na história.

Joana Darc da Silva, mãe da adolescente, nega participação no crime. "Jamais. Não existe isso. Entrei inocente nessa história. Se soubesse que ela [Lima] era esse monstro, não teria deixado minha filha lá. Não sou louca."

Ela afirma que Lima sempre se mostrou uma ótima pessoa durante as visitas que fez à filha e que não via as marcas no corpo da menina. "Sempre que eu chegava lá, ela estava de moletom, de tênis. O dia em que vi que o olho dela roxo, ela disse que tinha caído da escada."

Ela nega ter recebido pagamentos mensais de Lima. Uma vez, diz, ela precisava pagar uma conta e recebeu R$ 96.

Nesta quarta-feira, o marido de Lima, o engenheiro Marco Antônio Calabresi Lima, 42, prestou depoimento e negou ter conhecimento dos maus-tratos. "Eu viajava muito, era ausente na casa e não tinha conhecimento dessa situação. Foi uma surpresa e uma tragédia para todos."

Segundo a delegada, em depoimento, no entanto, ele afirmou que a menina pediu ajuda a ele. "Mas ele disse que a Sílvia implorou para que ele não a levasse e ele obedeceu."

Ele será indiciado pela delegada sob acusação de omissão em caso de tortura. Sílvia Lima nega as acusações e culpa a empregada. A empregada dela, Vanice Maria Novais, 23, também foi presa. Ela diz que ajudava a patroa porque ela mandava e porque não queria perder o emprego.

 

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