Cesar Maia responde críticas de Temporão e culpa ministério pela dengue
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O prefeito do Rio, Cesar Maia, retrucou nesta quinta-feira às críticas do ministro José Gomes Temporão (Saúde), que responsabilizou a Prefeitura do Rio pela explosão dos casos de dengue na cidade. Em e-mail à Folha Online, Maia culpou o ministério por falta de coordenação no combate à dengue, disse que o gabinete de crise montado na quarta-feira (19) está atrasado e ainda acusou a pasta de omitir casos de crianças mortas pela doença no Piauí e no Maranhão no ano passado.
"O que ele [Temporão] deveria fazer é ir ao hospital federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá [zona oeste], onde está concentrada grande parte dos óbitos e perguntar o que acontece lá. E abrir mesmo que provisoriamente a emergência do hospital federal do Fundão [Ilha do Governador, zona norte] para ampliar o numero de leitos. E reabrir a emergência do hospital federal de Bonsucesso para atendimento. E abrir mesmo que provisoriamente os cinco andares fechados do hospital federal dos servidores do Estado. E explicar por que o Ministério da Saúde omitiu, escondeu os óbitos infantis ocorridos em 2007 no Piauí e no Maranhão, que só agora foram informados por técnicos do ministério", escreveu Maia.
O prefeito reafirmou que os casos de dengue estão em declínio na cidade, mas reconheceu que são graves os casos de mortes de crianças por dengue --segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 18 dos 29 óbitos pela doença confirmados são de crianças com 11 anos ou menos. "O ponto focal e gravíssimo desse momento são óbitos de crianças que a prefeitura em seus hospitais caminha para praticamente eliminar nos últimos dias".
"Cabe ao Ministério da Saúde a coordenação do combate as endemias e epidemias mesmo que preventivamente. Portanto esse tal gabinete de crise chega atrasado", afirmou Maia.
Apenas em 2008, ao menos 42 pessoas morreram por causa da doença no Estado. Por causa do explosão de casos, os servidores estaduais da Saúde tiveram que trabalhar nesta quinta, que é ponto facultativo no Estado. Um decreto assinado pelo governador em exercício, Luiz Fernando Pezão, leva em conta "o aumento da demanda por internações nas unidades de saúde pública, mobilizando as três esferas de governo na reorganização de leitos específicos para atender os casos de dengue".
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