Publicidade

Cotidiano
24/03/2008 - 21h27

Ministro ignora caos aéreo ao comemorar queda em acidentes na Páscoa

Publicidade

GABRIELA MANZINI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online

O ministro da Justiça, Tarso Genro, comemorou nesta segunda-feira a queda nos números de acidentes e de feridos registrada durante o feriado prolongado de Páscoa deste ano, em relação aos do ano passado.

No anúncio das estatísticas, porém, ele não citou os efeitos que o caos aéreo infligiu sobre os números de 2007, de acordo com a própria Polícia Rodoviária Federal --e, em comparação com os números de 2006, os números de 2008 apontam um agravamento da violência nas estradas, e não uma melhora.

O governo anuncia a queda de 5% nos acidentes porque, neste ano, foram 1.657 e, no ano passado, foram 1.744. Em relação a 2006, porém, o número aumenta --naquele ano, houve 1.408 acidentes na Páscoa. Em relação ao número de feridos, a comparação é a mesma. O governo comemora a queda de 1.151 para 1.043 de 2007 para 2008, mas ignora que, em 2006, foram apenas 889.

Por outro lado, o número de mortes de 2008 foi o menor entre as Páscoas dos últimos seis anos. Foram 75 contra 79 em 2007 e 77 em 2006.

Em entrevista coletiva, Genro afirmou que as quedas eram conseqüência de maior rigor na aplicação de multas --o número de multas aplicadas na Páscoa de 2008 aumentou 202% na comparação com 2007--; maior rigor na punição a quem dirige alcoolizado --219 motoristas flagrados dirigindo embriagados foram multados e presos nesta Páscoa--; e maior fiscalização nas rodovias federais.

Questionado sobre a aparente distorção nas estatísticas, o chefe nacional de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal, inspetor Alexandre Castilho, deu explicações que, diferentes das do ministro, consideraram as mudanças causadas pelo caos aéreo --durante o ano de 2007, em quase todos os feriados, os acidentes foram atribuídos ao aumento do tráfego.

Para Castilho, o fluxo nas rodovias federais aumentou cerca de 30% em 2007 por causa do apagão aéreo, e esse patamar elevado se manteve em 2008. Ou seja, para ele, comparar 2008 com 2007 considera cenários similares enquanto comparar 2008 com o distante 2006 "seria uma tremenda injustiça".

Castilho afirma que o fluxo se manteve elevado porque são as rodovias estão melhores; porque a classe média gostou da experiência de viajar de carro em vez de avião; porque a frota do país aumentou em cerca de 10% graças às facilidades de financiamento de carros; porque o preço do combustível caiu; e porque a economia está aquecida --mais pacotes e passagens são vendidos, por exemplo.

Para a queda no número de acidentes, o inspetor propõe um fator curioso --o de que a fuga dos aeroportos, em 2007, tenha empurrado motoristas inexperientes para as estradas e de que esses mesmos motoristas, hoje, estão mais acostumados a elas.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca