Mãe de menina agredida em GO e marido de suspeita serão indiciados
FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha
A Polícia Civil de Goiás vai indiciar a mãe da menina de 12 anos que sofria torturas em Goiânia e o marido da suspeita de ter cometido as agressões, Sílvia Calabresi Lima, também incluída nos indiciamentos. Para a polícia, o marido e a mãe se omitiram no caso. O inquérito deve ser concluído amanhã (25).
Segundo a delegada Adriana Accorsi, dois filhos da suspeita e a mãe dela podem ser incluídos nos indiciamentos também por omissão.
Nesta segunda-feira, a Polícia Civil ouviu uma mulher de 23 anos que disse ter vivido 11 anos com Calabresi Lima e que era freqüentemente agredida. Ela pode ser a sexta vítima da investigada, de acordo com a polícia.
A suspeita está presa desde o dia 17, depois que policiais encontraram a menina amarrada no apartamento dela. Segundo a polícia, o marido, o engenheiro Marco Antonio Calabresi Lima, sabia das agressões e não tomou nenhuma atitude.
Ele afirmou à polícia na semana passada que desconhecia a violência a que a menina era submetida. Disse que era "ausente na casa" por viajar muito. A garota, porém, fala que o engenheiro sabia das agressões e que o viu repreendendo a mulher em uma ocasião.
A menina de 12 anos isenta a mãe, Joana Darc da Silva, de responsabilidade. Diz que, como os encontros com ela tinham sempre a presença da suspeita, não teve chance de contar o que sofria. A polícia diz que a mãe foi negligente.
Em entrevista à TV Globo, Calabresi Lima falou que agrediu a menina e pensava que estava "educando" a garota. "Na minha cabeça, não achava que eu estava torturando. Na minha cabeça, eu achava que estava educando", disse.
A suspeita também afirmou que era a "mandante" das agressões, enquanto a empregada doméstica Vanice Novaes, que está presa e também será indiciada, era a "executante". A defesa da empregada diz que ela era ameaçada.
Fuga
A suposta sexta vítima foi ouvida em Iporá (232 km de Goiânia). No depoimento, disse que sofria maus-tratos e que chegou a ser agredida com um ferro quente pela suspeita.
Segundo a Polícia Civil, a mulher de 23 anos era de uma família pobre que aceitou deixá-la, quando ainda era criança, sob os cuidados de Calabresi Lima. No depoimento, disse que fugiu da casa aos 17 anos. A defesa da suspeita nega que haja outras vítimas. A Folha não conseguiu localizar o advogado da mãe da menina.
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