Epidemia de dengue é a mais grave já registrada no Rio, diz Fiocruz
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O Rio vive sua mais grave epidemia de dengue, disseram nesta terça-feira especialistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em reunião para discutir a proliferação da doença no Estado. Repetindo crítica feita na segunda-feira (24) pelo ministro José Gomes Temporão, o grupo apontou ainda o modelo de assistência médica do Rio como um dos principais fatores para o número de mortes por dengue acima do esperado.
"Em tese, era de se esperar que não houvesse nenhum caso de morte", disse o médico clínico e infectologista da Fiocruz Antonio Sérgio da Fonseca. "Havia um despreparo completo da rede de saúde do Rio".
A gravidade do surto de dengue registrado este ano no Rio está relacionada, para os especialistas, a dois fatores: o retorno, após cerca de cinco anos, do vírus do tipo dois da doença e a demonstração que o Estado ainda pode enfrentar situações piores.
"É a mais séria epidemia que já tivemos no Rio. Não pelo número de mortes, mas porque é um marcador do que ainda pode vir", disse Paulo Sabroza, epidemiologista da fundação.
Embora tenha rechaçado o conflito político sobre a crise, o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, afirmou que a epidemia já era previsível, com base na proliferação de casos em outros Estados, como Alagoas, Maranhão e Piauí, no ano passado. "Era visível que a dengue chegasse ao Rio com mais força", disse o presidente da Fiocruz.
O epidemiologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Roberto Medronho, que também participou do encontro, defendeu uma mudança no programa de controle da doença como a principal forma de evitar novas epidemias. "Pode haver epidemias piores se não houver essas mudanças", completou Fonseca.
A falta de adesão do município ao programa de saúde de família foi uma das principais falhas apontadas por pesquisadores do grupo. "O problema no Rio é que a solução acaba sendo dada nas emergências. A porta de entrada, o atendimento inicial, que é primordial na dengue, é dificultada hoje. Não há cuidado continuado", apontou a pediatra da fundação Elyne Engstrom.
"E esse é o grande diferencial que o programa de saúde da família pode trazer", completou Antonio Sérgio. Segundo ele, a taxa de abrangência do programa é de 8% da população do Rio, enquanto no país esse percentual é, em média, de 80%.
Procurada pela Folha Online, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio ainda não se manifestou sobre seu programa de saúde da família.
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