Sobe para 54 número de mortos por dengue no Rio em 2008
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Subiu para 54 o número de mortos por dengue no Estado do Rio neste ano, segundo balanço divulgado no fim da tarde desta quarta-feira pela Secretaria Estadual de Saúde. Vinte e sete óbitos são de crianças entre 2 e 13 anos, informou o órgão.
Das 54 mortes, 31 ocorreram na cidade do Rio. As outras foram registradas nos municípios de Duque de Caxias (7), Miguel Pereira (1), Campos dos Goytacazes (3), São João de Meriti (3), Paracambi (3), Nova Iguaçu (3), São Gonçalo (3), Angra dos Reis (1) e Belford Roxo (1).
Até esta quarta-feira, foram notificados 41.978 casos da doença em todo o Estado. A Secretaria de Saúde informou ainda que, no total, 114 mortes ocorridas supostamente por dengue estão sendo investigadas, mas apenas 54 foram confirmadas até agora.
Na manhã desta quarta-feira, o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Vitor Berbara, já havia adiantado que pelo menos outras 50 mortes ocorridas no Rio este ano, além das 50 até então confirmadas, estavam sendo investigadas porque também podem ter sido causadas pela dengue. Berbara declarou ainda que esta é a pior epidemia de dengue que o Estado do Rio já enfrentou, por causa da gravidade dos casos.
Na quinta-feira (27), o Ministro José Gomes Temporão (Saúde) vai se reunir com membros das Forças Armadas para discutir como será a participação do Exército, Marinha e Aeronáutica no combate à dengue no Rio. Temporão declarou hoje que já está certo que as Forças Armadas irão montar três hospitais de campanha na cidade para atender pessoas com suspeitas de dengue, mas ainda não definiu os locais onde elas funcionarão.
Até o fim da semana, serão inauguradas no Rio mais duas tendas de hidratação --espaços montados pelo governo do Rio para desafogar as emergências dos hospitais, que realiza exames de hemograma e aplicação de soro em pacientes com dengue--, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Uma delas funcionará em frente ao hospital Getúlio Vargas, na Penha (zona norte), e outra ficará ao lado do hospital infantil de Duque de Caxias (região metropolitana).
Também nesta quarta-feira, o prefeito do Rio, Cesar Maia, falou pela primeira vez sobre a proliferação dos casos de dengue --todas as outras entrevistas que o prefeito concedeu sobre o assunto haviam sido feitas por e-mail. Ele negou novamente haver epidemia na cidade e afirmou que a equipe de saúde do município está totalmente preparada para tratar os casos.
"O que nós tivemos foi uma concentração de casos e uma indicação epidêmica em uma região, a de Jacarepaguá. Quando identificamos os óbitos infantis, fizemos treinamentos especiais e hoje há todas as condições de se evitar óbitos por dengue na rede municipal", disse o prefeito, em entrevista ao "RJTV". Maia disse ainda que, para se proteger da dengue, usa freqüentemente calças e blusas de manga comprida.
Em reunião na manhã desta quarta-feira, o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) apresentou levantamento feito nas duas últimas semanas apontando que, em pelo menos dois hospitais --o estadual Getúlio Vargas (Penha, zona norte) e o municipal Souza Aguiar (centro)--, cerca de mil pessoas com suspeita de dengue foram atendidas diariamente no período pesquisado pelo conselho. No relatório, os médicos afirmam ainda que quatro unidades --os estaduais Getúlio Vargas (Penha, zona norte) e Pedro 2º (Santa Cruz, zona oeste) e os municipais Lourenço Jorge (Barra, zona oeste) e Souza Aguiar (centro)-- há superlotação.
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