Prefeitura de SP fecha fábrica clandestina por crime ambiental
da Folha Online
A Prefeitura de São Paulo fechou nesta sexta-feira uma fábrica clandestina de reaproveitamento de borra de alumínio, localizada em uma área de preservação ambiental nas proximidades da avenida Jacu-Pêssego,em Itaquera (zona leste).
A fábrica lançava produtos químicos diretamente em um córrego da região. Foi mais uma ação dentro da Operação Defesa das Águas, criada há um ano para proteger os mananciais de São Paulo.
Após receber denúncias de moradores do entorno, os guardas ambientais constataram irregularidades que resultaram na prisão em flagrante de Daniel Rodrigues de Moraes, que se apresentou como o proprietário da fábrica. Além de poluir um dos afluentes do córrego Aricanduva, a fábrica produzia um tipo de material que é prejudicial à saúde das pessoas.
A fábrica clandestina triturava sucata de alumínio e depois aproveitava a água do córrego para o processo de reutilização do material. O metal resultante era separado e comercializado e os resíduos, descartados no chão e no córrego. "A água utilizada era devolvida ao córrego sem nenhum tipo de tratamento e vinha contaminada com um produto químico e fétido que, além de poluir o curso d'água, produzia mal-estar nas famílias moradoras da vizinhança", disse José Augusto Iacovissi, da Guarda Ambiental.
Vizinhos da fábrica --um barracão de alvenaria, cercado por outros de madeira-- contaram que a fábrica funcionava sempre com as portas fechadas. "O cheiro forte incomoda muito, especialmente quando chove, e o produto venenoso, largado no chão, acabava escorrendo para o córrego", disse um dos moradores.
Chamada pela Guarda Ambiental, uma equipe de peritos da Polícia Científica foi ao local e comprovou as ilegalidades. O produto tóxico despejado no córrego, segundo a prefeitura, é hidróxido de amônia.
O proprietário da fábrica foi intimado a apresentar, em cinco dias, a licença de funcionamento junto à Subprefeitura de Itaquera e outras autorizações à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente no prazo de 48 horas.
A Delegacia de Crimes Ambientais registrou boletim de ocorrência e instaurou inquérito. O responsável responderá por cinco crimes ambientais: causar dano direto ou indireto às unidades de conservação; causar poluição de qualquer natureza; executar pesquisa sem autorização; construir estabelecimento potencialmente poluidor, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes; e produzir substância tóxica.
Leia mais
- Polícia realiza operação contra extração ilegal de areia no Rio
- Justiça da Bahia manda prefeitura tratar vítimas de contaminação
- Manual ensina como aliar os negócios às questões ambientais
Especial

