Advogado de produtora diz que funk não tem conotação sexual
da Agência Folha
O advogado da Furacão 2000, Marcos Campuzano, afirmou na sexta-feira (28) que vai recorrer da decisão judicial que condenou a empresa a pagar R$ 500 mil como indenização por dano difuso às mulheres por causa da música "Tapinha".
Ele contestou o argumento usado pelo juiz Adriano Vitalino dos Santos de que a música é uma ofensa a todas as mulheres do Brasil. "Além de ser uma atitude contra a liberdade de expressão, como é possível provar que milhões de pessoas se ofenderam com a música? É algo muito subjetivo. Na minha avaliação, a ONG [Themis, com sede em Porto Alegre] não tem legitimidade para dizer isso."
Campuzano disse ainda que a letra não tem conotação sexual. Segundo ele, o autor, Mc Naldinho, fez a música como forma de criticar a "permissividade" dos pais em relação aos filhos.
"Ele [Mc Naldinho] deu um tapinha no traseiro da filha uma vez e ela disse: "Pai, um tapinha não dói". E resolveu fazer a música para criticar a posição dos pais que não sabem dizer não aos filhos", disse.
Segundo ele, o juiz condenou a empresa porque no Brasil existe preconceito em relação ao funk. "Por que não fizeram o mesmo com a boquinha da garrafa, que tinha claramente conotação sexual e passava no Faustão? Porque o funk é alvo de preconceito", afirmou.
O advogado disse haver ações criminais tramitando na Justiça contra os chamados funks "proibidões", cujas letras fazem apologia ao crime e ao sexo, mas que não conhece outros casos de processo movidos por suposta ofensa em razão de letras de músicas.
Campuzano disse também que o fato de o processo correr em Porto Alegre (se houver apelação, caberá ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede na capital gaúcha, julgar o caso) atrapalha o direito de defesa, já que a Furacão 2000 tem sede no Rio.
Procurada pela Folha para comentar o assunto, a Sony Music não respondeu os questionamentos até o começo da noite de ontem.
À Justiça a Sony Music afirmou que a letra da música "Tapa na Cara" não incita a violência e é somente "a manifestação cultural das classes sociais menos favorecidas". A gravadora também argumentou que apenas produziu, distribuiu e comercializou o produto que contém a música. (MP e FB)
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