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Cotidiano
30/03/2008 - 18h33

Criança morre ao cair de prédio em SP; perícia diz que proteção foi cortada intencionalmente

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LIVANY SALLES
Colaboração para a Folha Online

A hipótese de homicídio é a mais provável para o caso de uma menina de 5 anos que morreu no final da noite de ontem (29) depois de cair do sexto andar de um prédio localizado na Vila Isolina Mazzei (zona norte de São Paulo), informou a Polícia Civil neste domingo. Perícia feita no apartamento apontou que a rede de proteção da janela foi cortada intencionalmente.

Os policiais tentam identificar, agora, os responsáveis pela morte da criança. "Houve um crime onde alguém jogou uma criança da janela após cortar a tela de proteção. Ou foi alguém ligado à criança ou uma invasão. São os únicos indícios que se têm no momento", disse o delegado Calixto Calil Filho do 9º DP (Carandiru).

O pai da criança e a madrasta da menina permaneciam na tarde deste domingo no 9º DP, onde prestavam depoimento, e deverão ser liberados ainda hoje. A Polícia Civil informou não haver indícios de que os dois teriam provocado a queda. Eles figuram como averiguados no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil.

Isabella de Oliveira Nardoni, 5, era filha do estagiário de direito Alves Nardoni, 29, com sua ex-mulher, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23. Após a queda, a menina chegou a ser levada para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo depoimento prestado à Polícia Civil por Nardoni e pela atual mulher dele, a estudante Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, os dois voltaram da casa da mãe da moça, na companhia da menina e duas outras crianças --filhos da união de Nardoni e Jatobá--, e estacionaram o carro na vaga do prédio.

Na versão apresentada pelo casal à Polícia Civil, as três crianças dormiam no veículo. Enquanto Jatobá ficou no carro com os dois filhos do casal, o estagiário teria subido até o apartamento para levar Isabella e colocá-la na cama.

Nardoni teria voltado para a garagem para auxiliar a mulher a levar os dois filhos, e ao voltar ao apartamento, teria percebido que a luz do cômodo onde havia deixado Isabella estava acesa --ele disse que havia deixado apagada ao sair-- e que havia gotas de sangue na cama onde a garota foi deixada. Além disso, segundo o depoimento do pai da garota à polícia, a tela de proteção havia sido cortada.

À polícia, o estagiário de direito disse que tinha um desafeto, com quem teria tido uma discussão. O delegado informou que o homem apontado pelo pai da criança será ouvido. Exames irão indicar se a garota sofreu agressões antes de cair e se estava consciente antes da queda.

Isabella morava com a mãe e quinzenalmente passava o final de semana na companhia do pai. O porteiro que trabalhava no edifício informou em depoimento que não viu ninguém estranho no prédio.

O corpo da garota deverá ser enterrado no cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã (zona norte), na segunda-feira (31).

 

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