Cotidiano
31/03/2008 - 10h00

Hospitais do Rio têm mais um dia de caos

PAULA MÁIRAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo, no Rio

O hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá (zona oeste do Rio), atendeu ao longo do dia de ontem, até as 17h, 605 pessoas com suspeitas de dengue, sendo 360 crianças. A média de atendimento nos finais de semana desse hospital federal é de cem casos por dia e o movimento de ontem é um indicador de que, três meses depois do seu início, a epidemia de dengue continua sem controle.

A morte de uma mulher no hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (zona oeste), na noite do sábado, aumentou a lista de suspeitas de óbito em razão da doença. Outras três mortes de crianças já tinham sido registradas neste final de semana e aguardam o laudo definitivo para confirmar a causa da morte. De 428 pacientes encaminhados pelos médicos do Cardoso Fontes para exame sob suspeita de dengue, mais da metade (241) tem menos de 12 anos. Os dados foram fornecidos pelo Ministério da Saúde.

Havia um único pediatra de plantão no hospital. Pela manhã houve tumulto por causa do pânico na fila de espera, principalmente entre mães com bebês de colo. Robson Leonardo, 4, mal se mexia nos braços da mãe, Kelly dos Santos, 20, à espera do resultado do exame do filho, sentada numa calçada na entrada do prédio.

Ela chegou ao hospital às 7h30. Às 12h, o filho desmaiou e vomitou. Carregado por um profissional de imprensa, o menino foi atendido, fizeram a coleta de sangue, mas não foi internado. 'Não sei o que podem considerar grave', lamentou Kelly.

'Estou desde a quinta-feira à procura de hospitais com a minha filha de dois meses. A saúde pública diz que a dengue só se diagnostica em três dias. Estive uma primeira vez no Cardoso Fontes, desisti da espera, mas no Lourenço Jorge [hospital municipal da Barra da Tijuca] nem estavam fazendo o exame. Tive que voltar e esperar', lamentou o correspondente bancário André de Oliveira, 26.

Filas de espera ocorreram também em outras áreas do Rio, como no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier (zona norte). Às 15h30, mais de cem pessoas aguardavam em cadeiras ou em pé por atendimento. 'O médico disse na triagem que a minha filha não está nem roxinha, que pode esperar para ser atendida. Só Jesus', desabafou Maria de Fátima Moreno de Souza, 43, com Larissa Júlia, 2 meses, no colo. Ela chegou às 11h à emergência e às 15h45 ainda não havia sido atendida. Havia dois pediatras na unidade.

Com o novo caso no Lourenço Jorge, elevou-se para quatro o número de mortes suspeitas no Rio desde a última sexta-feira. O número oficial de mortes permanece, no entanto, inalterado desde quarta-feira: são 54 registros de mortes. Os três hospitais de campanha instalados pela Aeronáutica na Barra da Tijuca para atendimento de emergência e diagnóstico começam a funcionar hoje. Nessas tendas só não será possível a internação. Os casos mais graves serão encaminhados para o hospital Cardoso Fontes.

A expectativa do ministério é que ajudem a aliviar o atendimento no Cardoso Fontes.

Comentários dos leitores
Rogerio Rocha (302) 10/06/2008 14h24
Rogerio Rocha (302) 10/06/2008 14h24
SAO PAULO / SP
Como havia predito, ninguém mais vem a este fórum. Perdeu o interesse, mas a dengue continua.
Agora o estado onde ela está crescendo é a Bahia.
Continua tendo a certeza de que a expansão da dengue conta com uma contribuição significativa da população que não tem as mais básicas noções de higiene, saúde e civilidade. Porém o grande agente que poderia reverter este quadro também não faz a sua parte. E que agente é este? Simplesmente o poder executivo (municipal, estadual e federal - traduzindo para alguns: prefeito, governador e presidente da república) através dos seus gentes de saúde e de publicidade.
E agora, na Bahia, não adianta culpar PSDB, DEM ou qualquer outro partido que não seja o pt.
E mais uma vez quem perde é o cidadão que sustenta com os seus impostos esta turma que, independente de partido, não gosta de trabalhar.
sem opinião
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Frbezerra Bezerra (1) 29/05/2008 09h58
Frbezerra Bezerra (1) 29/05/2008 09h58
Há um pequeno programa que espanta mosquitos, antimosxp, é só procurar no Google, e instalar em todos os computadores do Rio de Janeiro, para afastar os bixinhos danados.
Este programa emite uma frequencia que afasta os voadores, e não pertuba o ouvido humano.
É o que pensei para ajudar os amigos cariocas.
3 opiniões
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José Rubem Tavares França (1) 28/05/2008 21h03
José Rubem Tavares França (1) 28/05/2008 21h03
RIO DE JANEIRO / RJ
É de se lamentar, que o sr presidente Lula, que antigamente era radicalmente contra a CPMF, agora ele quer por qualquer custo, colocar este deprimente imposto com outra cara.
Atenciosamente,
José Rubem.
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