Lula culpa prefeitura, governo do Estado e União por dengue no Rio
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou nesta segunda-feira as três esferas do poder (federal, estadual e municipal) pela epidemia de dengue que atinge o Estado. Hoje mais 13 mortes pela doença foram confirmadas apenas na cidade do Rio, chegando a 44 o número de óbitos pela doença na cidade. No Estado, o total atingiu 67.
Das novas vítimas confirmadas, cinco eram crianças até 12 anos e três delas maiores de 60 anos, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio. O órgão disse que ainda não tinha, até a noite desta segunda-feira, os nomes das pessoas e os locais onde elas aconteceram.
Também nesta segunda-feira, o secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, anunciou que vai começar a recrutar pediatras da rede pública de outros Estados do Brasil para ajudar no atendimento a crianças com suspeita de dengue na cidade do Rio.
Conforme orientação que havia dado ao ministro José Gomes Temporão (Saúde), evitou polemizar sobre o surto da doença. 'A dengue temos que cuidar muito antes de as pessoas serem picadas. Tem responsabilidade do presidente, do governador, dos prefeitos e de cada habitante', declarou.
O presidente estava em Duque de Caxias, onde lançava obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que devem beneficiar a região. A cidade foi a segunda com mais mortes por dengue confirmadas neste ano: foram sete, atrás apenas do Rio, segundo o último balanço da Secretaria Estadual de Saúde.
O Rio de Janeiro, segundo o Ministério da Saúde, teve 36% do total de casos (em números absolutos), com 32.552 notificações (22.167 na capital).
Reforço
O governo do Estado anunciou hoje que vai recrutar pediatras da rede pública de outros Estados do Brasil para ajudar no atendimento a crianças com suspeita de dengue na cidade do Rio. A Secretaria da Saúde informou que arcará com as despesas de passagem, hospedagem e o custo de diárias e plantões dos médicos.
A intenção, segundo o órgão, é reforçar o quadro de pediatras dos hospitais da rede estadual do Rio, devido ao grande número de crianças com suspeita de dengue que chegam às emergências das unidades.
Desde o começo do ano, 54 mortes por dengue já foram confirmadas no Estado pela Secretaria Estadual de Saúde, 31 delas na cidade do Rio. As outras aconteceram nos municípios de Duque de Caxias (7), Miguel Pereira (1), Campos dos Goytacazes (3), São João de Meriti (3), Paracambi (3), Nova Iguaçu (3), São Gonçalo (3), Angra dos Reis (1) e Belford Roxo (1).
Militares
Os hospitais de campanha montados pelas Forças Armadas no Rio começaram a funcionar na manhã desta segunda-feira para atender pacientes com dengue. Em duas horas, a unidade da Aeronáutica atendeu 80 pessoas.
O hospital fica na Barra da Tijuca (zona oeste), próximo ao hospital municipal Lourenço Jorge. As outras unidades estão instaladas em Deodoro, na Vila Militar (Exército), e o da Marinha, no quartel do Corpo de Bombeiros de Nova Iguaçu (Baixada Fluminense).
O atendimento inicial e o diagnóstico de pacientes com dengue não é feito nas tendas. Para lá, só irão pacientes que passaram por hospital público antes. A Aeronáutica conta com um centro de triagem no terminal da Alvorada, na Barra.
Números
Apesar da epidemia no Rio, a incidência de dengue diminuiu em 2008 no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com os dados da Secretaria de Vigilância Sanitária, foram 98.787 casos entre janeiro e fevereiro, contra 120.570 no mesmo período de 2007. O número representa uma redução de 27%.
Até a 9ª semana de 2008 foram notificados 120.570 casos da dengue hemorrágica, dos quais 647 foram confirmados e 48 resultaram em morte. Segundo a pasta, não é possível comparar com o mesmo período do ano passado porque não há dados discriminados por semana. Durante todo o ano passado, foram registrados 559.954 casos da doença, com 158 mortes.
A queda, no entanto, não foi homogênea nas cinco regiões do Brasil. O Centro-Oeste e o Sul tiveram diminuição de 79,06% e 56,88% respectivamente. A região Norte teve o maior aumento da dengue, com um acréscimo de 52,82%, apesar de ter o segundo menor número de casos absolutos.
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