Greve de policiais civis na Bahia é considerada ilegal
LUIZ FRANCISCO
KARIN BLIKSTAD
MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha
Atendendo a um pedido encaminhado pelo procurador-geral da Bahia, Rui Moraes Cruz, a Justiça decretou nesta segunda-feira a ilegalidade da greve dos policiais civis e determinou o retorno imediato da categoria às atividades, sob pena de pagamento de uma multa diária de R$ 100 por parte do Sindipoc (Sindicato dos Policiais Civis), caso a decisão não seja acatada.
Entre a última sexta-feira, início da greve, e a manhã de ontem, quando foi decretada a ilegalidade do movimento, 31 homicídios registrados só na região metropolitana de Salvador deixaram de ser investigados e 39 detentos fugiram de um complexo na capital baiana --12 foram recapturados.
O sindicato da categoria informou que as 520 delegacias existentes na Bahia suspenderam os seus serviços. Os policiais afirmam que o reajuste de 4,46% oferecido pelo governo ao funcionalismo público não contemplou a categoria.
Na Paraíba, cerca de 1.500 policiais civis cruzaram os braços na quinta-feira. Com isso, cerca de 350 boletins de ocorrência deixam de ser feitos no Estado a cada dia, de acordo com a Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba.
Eles pedem reajuste salarial e mudanças no sistema de aposentadoria, além da aprovação de um plano de carreira.
O governo propõe aumento de 4,45% na base salarial inicial dos agentes, que é de R$ 462, mais reposição de 50% nas chamadas gratificações por "risco de vida". O salário inicial de um agente chega a R$ 1.200. Eles exigem que o valor chegue perto de R$ 2.800.
Com a greve, todos os casos apurados pela polícia estão sendo levados à Central de Polícia em João Pessoa. Apenas 30% da corporação está trabalhando durante a greve. Diligências e oitivas não são feitas.
Hoje os delegados do Estado vão aderir oficialmente à greve. A Polícia Militar, que também pede aumento salarial, deve parar nesta semana.
Em Sergipe, agentes penitenciários também estão em greve desde sábado. Eles reivindicam a equiparação do salário ao dos agentes federais, que chega a R$ 4.100. Um agente no Estado recebe hoje, segundo o Sindpen (Sindicato dos Agentes Penitenciários), entre R$ 1.300 e R$ 1.800.
Segundo o sindicato, 30% dos agentes estão trabalhando nas sete penitenciárias do Estado --no total são cerca de 650 agentes.

