Chuva mata em Recife, faz estragos em Manaus e desabriga 2.000 no Maranhão
RENATA BAPTISTA
da Agência Folha, em Recife
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus
As chuvas que têm atingido a região metropolitana de Recife há duas semanas provocaram, hoje (31) pela manhã, a primeira vítima do ano em Pernambuco.
Uma criança de 10 anos morreu após um deslizamento de barreira sobre a casa onde morava, no bairro Lagoa Encantada, na zona sul da capital. Leonardo José do Nascimento estava em casa com a mãe e três irmãos no momento do acidente. Ele foi tirado dos escombros sem vida. Duas das crianças apresentaram ferimentos leves.
Entre as 21h de ontem e 9h de hoje, foi registrada a precipitação de 116 mm (116 litros por metro quadrado) em Recife --que corresponde a cerca de um terço do acumulado em março, que foi de 355 mm. A média histórica para o março é de 233 mm.
A Prefeitura de Recife declarou estado de alerta máximo e todas as ações dos órgãos municipais ficam subordinadas às necessidades decorrentes das chuvas. Desde o dia 19, aconteceram 56 deslizamentos e sete desabamentos. Cerca de 170 pessoas ficaram desabrigadas, segundo a prefeitura.
O Corpo de Bombeiros recebeu cerca de cem chamados hoje para atender ocorrências por quedas de árvores e para retirar pessoas ilhadas em casas alagadas.
O aeroporto de Recife operou na madrugada e parte da manhã por instrumentos. De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a previsão é de mais chuvas em todo o Estado.
Vento forte
Moradores de Manaus (AM) contabilizaram os estragos do temporal de domingo, que registrou ventos de até 78 km/ h, segundo o Corpo de Bombeiros. A Defesa Civil de Manaus e os bombeiros atenderam 197 ocorrências, sem registros de mortes. Duas embarcações que estavam ancoradas na área portuária naufragaram.
O vôo 7866 da Gol, que fazia a rota Brasília-Manaus, foi deslocado para Boa Vista (RR) devido aos ventos fortes. Dentro da aeronave, dois passageiros passaram mal.
A meteorologista Lúcia Gularte, do Inmet, disse que as chuvas do mês de março atingiram 600 mm --quase o dobro da média mensal, de 313 mm.
No Maranhão, cerca de 2.000 pessoas estão desabrigadas em decorrência das chuvas. O caso mais grave é no município de Gonçalves Dias, onde o rompimento de um açude deixou 252 famílias desabrigadas, segundo o secretário-executivo de Defesa Civil do Estado, Célio Roberto de Araújo. Não há registro de mortos ou desaparecidos.
No Piauí, um rio transbordou e alagou parte de Barras (128 km de Teresina). Entre 200 e 300 famílias estão desabrigadas, segundo o secretário da Defesa Civil do Estado, Fernando Monteiro. No Pará, a chuva provocou o rompimento de um trecho da rodovia PA-150, próximo a Marabá, uma das principais rodovias que liga o sul do Estado a Belém. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, não houve feridos.
Colaboraram SÍLVIA FREIRE e KARIN BLIKSTAD, da Agência Folha

