Cotidiano
02/04/2008 - 14h43

"Que a justiça seja feita agora", diz mãe de Isabella

CLAYTON FREITAS
da Folha Online

"Não tenho nada a declarar. Já dei meu depoimento. Que a justiça seja feita agora", afirmou Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, ao sair do 9º DP (Carandiru), na zona norte de São Paulo, por volta das 14h30 desta quarta-feira. Ela é mãe da menina Isabella Oliveira Nardoni, 5, morta sábado (29) depois de ser encontrada no jardim do prédio em que o pai mora.

Oliveira chegou à delegacia para prestar depoimento por volta das 10h30, ao lado dos pais, e não falou com a imprensa. Durante o período em que Oliveira permaneceu na delegacia, um dos advogados do pai de Isabella, Alexandre Nardoni, 29, e da madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, chegou à delegacia com uma mulher.

Reprodução
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que teria sido arremessada do sexto andar do prédio do pai, na zona norte de SP
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que teria sido arremessada do sexto andar do prédio do pai, na zona norte de SP

Pouco antes de a mãe da menina deixar a delegacia, a delegada Elisabete Sato, titular da 4ª Delegacia Seccional Norte de São Paulo chegou para "orientar as investigações". Para ela, há conflitos nas versões obtidas pela Polícia Civil para o crime. "Existem pontos que são conflitantes, e esses pontos terão que ser dirimidos, senão não tem como a investigação continuar de forma satisfatória."

Sato disse ainda que é "precipitado" afirmar se a Polícia Civil irá indiciar alguém e não descartou a possibilidade de o pai e a madrasta de Isabella serem chamados a prestar novo depoimento. Os dois foram ouvidos na madrugada de domingo (30), logo após a morte da menina. De acordo com a delegada, só haverá reconstituição do crime depois das conclusões sobre os exames do IML (Instituto Médico Legal) e da perícia.

Crime

Na versão apresentada à Polícia Civil, o pai de Isabella disse ter chegado de carro ao edifício onde mora, com os três filhos dormindo, no sábado à noite. Ele disse ter levado Isabella para o apartamento e retornado à garagem para ajudar a mulher com os outros dois filhos.

Quando voltou ao apartamento, ele teria encontrado a luz acesa e percebido que a menina havia desaparecido. Ele teria, então, visto um buraco na tela de proteção da janela do quarto ao lado e visto Isabella deitada no jardim. Quando os bombeiros chegaram ao local, Isabella estava com parada cardiorrespiratória. Por 34 minutos eles tentaram reanimar seu coração, mas não conseguiram.

Isabella morava com a mãe, mas visitava o pai a cada 15 dias. O pai afirma suspeitar que a filha tenha sido atirada do sexto andar do prédio por algum desafeto seu.

Brigas

O delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, diz que o pai e a madrasta são "candidatos a suspeitos". Os dois figuram no boletim de ocorrência do caso como "averiguados". Segundo Calil Filho, duas testemunhas, um casal de advogados que mora no 1º andar, disseram ter ouvido gritos de "pára, pai" no sexto andar, pouco antes de a menina ser encontrada.

Ontem (1º), seis pessoas foram ouvidas --cinco vizinhos e um PM que esteve no local. Hoje, a Polícia Civil, além de ouvir a mãe, deve realizar exames periciais no apartamento.

Inocência

Os advogados do pai e da madrasta sustentam que eles são inocentes. Para eles, os gritos podem ter sido mal interpretados. Segundo o advogado Ricardo Martins de São José Junior, a criança poderia estar sendo atacada por uma terceira pessoa e pedindo para ela parar e ao mesmo tempo gritando por socorro ao pai.

O advogado também afirmou que a relação entre Nardoni e Anna sempre foi tranqüila. O avô materno e a mãe também relataram à Folha que o pai, a filha e a madrasta tinham uma boa relação. Porém, a Polícia Civil diz ter testemunhas de que houve discussão no apartamento.

 

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