Cotidiano
02/04/2008 - 20h16

Justiça decreta prisão temporária do pai e da madrasta da menina Isabella

da Folha Online

A Justiça de São Paulo decretou na noite desta quarta-feira a prisão temporária por 30 dias do casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 --pai e madrasta da menina Isabella Oliveira Nardoni, 5, que morreu no final da noite do último sábado (29).

O prazo da prisão pode ser prorrogado por mais 30 dias. O juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, também decretou sigilo no inquérito policial.

Reprodução
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que teria sido arremessada do sexto andar do prédio do pai, na zona norte de SP
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que teria sido arremessada do sexto andar do prédio do pai, na zona norte de SP

Isabella morreu depois de ser encontrada no jardim do prédio onde mora o pai, na região do Carandiru, zona norte da cidade. Ela teria sido jogada do sexto andar do edifício.

O pedido de prisão foi feito pela polícia logo depois de a mãe da menina, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, ter prestado depoimento no 9º DP (Carandiru). Ontem (1º), seis pessoas foram ouvidas --cinco vizinhos e um PM que esteve no local.

Depoimento

Na versão apresentada à Polícia Civil, o pai de Isabella afirmou ter chegado de carro ao edifício onde mora, com os três filhos dormindo, no sábado à noite. Ele disse ter levado Isabella para o apartamento e retornado à garagem para ajudar a mulher com os outros dois filhos.

Quando voltou ao imóvel, Nardoni teria encontrado a luz acesa e percebido que a menina havia desaparecido. Ele teria, então, visto um buraco na tela de proteção da janela do quarto ao lado e Isabella deitada no jardim. Quando os bombeiros chegaram ao local, a menina estava com parada cardiorrespiratória. Por 34 minutos eles tentaram reanimar a vítima, mas não conseguiram.

Isabella morava com a mãe, mas visitava o pai a cada 15 dias. Nardoni disse suspeitar que a filha tenha sido atirada do sexto andar do prédio por algum desafeto seu.

Defesa

Ontem (1º), os advogados do pai e da madrasta afirmaram que os dois são inocentes e que os gritos da menina, relatados por vizinhos, podem ter sido mal-interpretados. Segundo o advogado Ricardo Martins de São José Junior, a criança poderia estar sendo atacada por uma terceira pessoa e pedindo para ela parar e ao mesmo tempo gritando por socorro ao pai.

O advogado também afirmou que a relação entre Nardoni e a atual mulher sempre foi tranqüila. O avô materno e a mãe também relataram à Folha que o pai, a filha e a madrasta tinham uma boa relação. Porém, a Polícia Civil diz ter testemunhas de que houve discussão no apartamento.

Mãe

Nesta quarta, a mãe da menina, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 23, prestou depoimento. "Não tenho nada a declarar. Já dei meu depoimento. Que a justiça seja feita agora", afirmou na saída.

Pouco antes, a delegada Elisabete Sato, titular da 4ª Delegacia Seccional Norte de São Paulo, esteve no local para "orientar as investigações". "Existem pontos que são conflitantes [nas versões coletadas pela Polícia Civil], e esses pontos terão que ser dirimidos, senão não tem como a investigação continuar de forma satisfatória."

 

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