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Cotidiano
02/04/2008 - 22h04

Advogado é preso acusado de levar celular para prisão do PCC

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CRISTIANO MACHADO
Colaboração para a Agência Folha, em Presidente Prudente

O advogado Jerônimo Ruiz Andrade do Amaral, defensor de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi preso hoje (2) acusado de tentar entrar com componentes de telefone celular na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de SP), onde estão chefes da facção criminosa.

Amaral foi flagrado por agentes penitenciários com duas placas, chips e baterias de celular na sala de espera antes de audiência com dois de seus clientes, Abel Pacheco de Andrade e Marcelo Augusto Mori, apontados pela polícia como integrantes do grupo criminoso.

Este é o segundo advogado de chefes do PCC preso em São Paulo num intervalo de 23 dias. No último dia 10, foi detido temporariamente por decisão da Justiça o advogado Sérgio Wesley da Cunha, acusado pelo Ministério Público de ligação com a facção.

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Administração Penitenciária informou que Jerônimo Amaral "foi flagrado em procedimento de revista padrão tentando entrar na unidade com dois telefones celulares no interior de suas pastas de processos, camuflados entre folhas de papel".

A Folha apurou que ele foi descoberto no momento em que tentava colocar os celulares desmontados no bolso do paletó. A direção do presídio chamou a polícia, que o encaminhou para o 2º Distrito Policial da cidade.

De acordo com o delegado seccional de Presidente Venceslau, Geraldo Takushi, o advogado foi autuado em flagrante por formação de quadrilha e associação para o tráfico de drogas.

"Há indícios fortíssimos que os aparelhos que seriam entregues aos chefes desse grupo serviriam para o cometimento dos mais diversos crimes", disse. Segundo o delegado, o acusado afirmou que só falaria em juízo.

No final da tarde, dois advogados se apresentaram na delegacia para defendê-lo, mas a reportagem não conseguiu falar com eles.

O vice-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Presidente Venceslau, Jorge Duran, acompanhou todo o procedimento da prisão. Ele disse que enviará uma cópia do boletim de ocorrência ao Conselho de Ética da entidade, que analisará o caso.

O representante da OAB disse que a entidade não emitirá opinião sobre a acusação. Hoje à noite, Jerônimo do Amaral seria transferido para a cadeia de Adamantina (593 km de SP), onde ficará em cela especial por ter curso superior.

 

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