Com prisão decretada, pai e madrasta de Isabella se apresentam à Justiça
da Folha Online
Atualizado às 17h45
Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 --pai e madrasta da menina Isabella Oliveira Nardoni, 5, que morreu no final da noite do último sábado (29), se apresentaram à Justiça por volta das 17h desta quinta-feira no fórum de Santana, zona norte de São Paulo. A prisão temporária contra ele e a madrasta da menina, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, foi decretada ontem pelo juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri.
O casal será encaminhado ao 9º Distrito Policial (Carandiru) pelo delegado Aldo Galiano Júnior, diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital). Jatobá deve ficar presa na carceragem do 89º DP (Portal Morumbi) e Nardoni, em outra delegacia da cidade.
| Reprodução |
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| Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que teria sido arremessada do sexto andar do prédio do pai, na zona norte de SP |
Isabella foi encontrada com parada cardiorrespiratória no jardim do prédio onde mora o pai, na região do Carandiru, zona norte da cidade. Segundo Nardoni, ela teria sido jogada do sexto andar do edifício, supostamente, por algum desafeto seu.
Após ouvir vizinhos e a mãe da menina, Ana Carolina Cunha de Oliveira, a Polícia Civil pediu a prisão temporária do pai e da madrasta de Isabella. O prazo da prisão pode ser prorrogado por mais 30 dias.
Na terça-feira (1º), os advogados de Nardoni e da atual mulher dele afirmaram que ambos são inocentes e que os gritos da menina, relatados por vizinhos, podem ter sido mal-interpretados. Segundo o advogado Ricardo Martins de São José Filho, a criança poderia estar sendo atacada por uma terceira pessoa e pedindo para ela parar e ao mesmo tempo gritando por socorro ao pai.
O advogado também afirmou que a relação entre Nardoni e a atual mulher sempre foi tranqüila. O avô materno e a mãe também relataram à Folha que o pai, a filha e a madrasta tinham uma boa relação. Porém, a Polícia Civil diz ter testemunhas de que houve discussão no apartamento.
Depoimento
Isabella morava com a mãe, mas visitava o pai a cada 15 dias. Na versão apresentada à Polícia Civil, o pai de Isabella afirmou ter chegado de carro ao edifício onde mora, com os três filhos dormindo, no sábado à noite. Ele disse ter levado Isabella para o apartamento e retornado à garagem para ajudar a mulher com os outros dois filhos.
Quando voltou ao imóvel, Nardoni teria encontrado a luz acesa e percebido que a menina havia desaparecido. Ele teria, então, visto um buraco na tela de proteção da janela do quarto ao lado e Isabella deitada no jardim. Os bombeiros tentaram reanimar a menina por 34 minutos, mas não conseguiram.
Ao decretar a prisão do casal por 30 dias --prorrogáveis por mais 30--, o juiz também decretou sigilo no inquérito policial.
Cartas
Nardoni e a atual mulher decidiram falar sobre o caso pela primeira vez, segundo cartas exibidas nesta quinta-feira pela TV Record.
Nardoni diz que seu "mundo acabou" com a morte da filha e que está sendo condenado por algo que não fez.
"Nós não tínhamos feito nenhuma declaração ainda porque acreditávamos que o caso seria solucionado", diz um trecho. "Somos inocentes e a verdade sempre prevalecerá", afirma Jatobá.
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