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Cotidiano
04/04/2008 - 11h37

Imigrantes brasileiros trocam EUA por Europa, diz estudo

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da Agência Lusa

Os brasileiros estão trocando o tradicional fluxo migratório para os Estados Unidos por destinos na Europa, em especial Portugal, revela estudo da pesquisadora brasileira Lúcia Bógus, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Também cidadã portuguesa, Lúcia Bógus analisou entrevistas e dados oficiais, que compilou no estudo "Esperança Além-Mar: Portugal no Arquipélago Migratório Brasileiro".

"Percebemos a presença de brasileiros em Portugal de regiões do Brasil que tradicionalmente, no passado, alimentavam o fluxo migratório para os Estados Unidos", disse a pesquisadora à Agência Lusa.

Entre essas regiões, estão as cidades de Governador Valadares (MG) e Londrina (PR).

O estudo revelou uma grande comunidade de brasileiros de Governador Valadares na Costa de Caparica, na região de Lisboa, onde, inclusive, formou uma equipe de futebol.

"A nossa idéia era ir para os Estados Unidos. [...] Talvez um dia a gente ainda possa entrar e trabalhar por lá. [...] Se não der, aqui já tem muita gente da nossa terra", revelou um dos imigrantes de Governador Valadares em entrevista à pesquisadora.

O estudo mostra ainda que na cidade de Londrina há diversas agências de recrutamento de trabalhadores para estabelecimentos comerciais portugueses e revela "um expressivo e contínuo crescimento do número de casamentos" entre brasileiras e portugueses, o que evidencia "um aumento da presença feminina entre os imigrantes brasileiros".

Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística) de Portugal, o número de casamentos entre brasileiras e portugueses passou de 500, em 1990, para mais de 800 em 2000.

A presença de brasileiros em Portugal é relativamente antiga, aponta o estudo, destacando que, em 1960, a brasileira era a segunda maior comunidade estrangeira em Portugal, depois da espanhola.

Entre 1960 e 1981, a comunidade brasileira diminuiu em termos relativos, devido ao crescimento da imigração africana, resultado da descolonização portuguesa na África.

Nos anos seguintes, após um período de relativa estagnação, o fluxo migratório voltou a crescer "de forma expressiva" até 1995, "disparando" a partir de 1999, o que transformou os brasileiros na maior comunidade estrangeira em Portugal.

Uma estimativa de 2004 indicou a existência de 100 mil brasileiros em Portugal, entre legais e ilegais. O número corresponde a 1% da população portuguesa.

"Tais alterações nos fluxos podem ser relacionadas com os períodos de oscilação da economia brasileira, que alcançou relativa estabilidade nos primeiros anos do Plano Real [1994], mas voltou a apresentar sintomas de fragilidade, com o reflexo da crise cambial [1999]", destaca o estudo.

O desemprego crescente no Brasil e a possibilidade de inserção em um país considerado "porta de entrada para a Europa" impulsionaram a migração brasileira para as cidades portuguesas.

Em 2001, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil classificou Portugal como o quinto principal destino de brasileiros, atrás apenas de Estados Unidos, Paraguai, Japão e Alemanha.

"Neste caso, deve-se lembrar a possibilidade da subestimação dos dados em virtude da clandestinidade de parte dos movimentos migratórios, camuflados por viagens de caráter turístico ou para estudos", diz o estudo.

Desde meados da década de 80, já deixaram o Brasil cerca de 2,4 milhões de pessoas, hoje espalhadas por mais de 30 países.

Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostram que o Brasil está entre os vinte países que mais recebem recursos por remessas de imigrantes --cerca de US$ 5,2 bilhões por ano.

 

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