Pai de Isabella não viu ninguém no prédio no dia do crime, diz advogado
da Folha Online
O advogado Marco Polo Levorin, que defende Alexandre Nardoni --pai da menina Isabella, afirmou nesta sexta-feira que seu cliente não viu ninguém suspeito no prédio onde mora no dia em que a garota morreu. Ela foi encontrada no jardim do edifício, na região do Carandiru (zona norte de São Paulo), após ter sido supostamente arremessada do apartamento no sexto andar.
"Ele disse que não viu essa pessoa. Ele acredita que alguém estava no prédio, mas não apontou ninguém", afirmou Levorin no 77º DP (Santa Cecília), onde Alexandre está preso desde ontem. Na quarta-feira (2), o sargento da Polícia Militar Luiz Carvalho, o primeiro a chegar ao local no dia da morte da menina, disse que Nardoni havia afirmado ter visto alguém no local do crime quando a menina morreu.
Segundo Levorin, Alexandre apresentou nomes de pessoas que freqüentam o prédio e que poderiam ter envolvimento no caso."Não seria nenhum morador. Vamos tentar estabelecer uma linha de investigação e tentar fazer com que o presidente do inquérito os intime a depor", disse o advogado.
O defensor do casal afirmou que considera errada a decisão da Justiça de decretar a prisão temporária do pai de Isabella e da madrasta da menina, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24. Ontem, o delegado Aldo Galiano Júnior, diretor da Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), afirmou que as prisões foram pedidas devido às várias contradições do caso.
"Se não estão claros os questionamentos da decisão [judicial], entendemos que os fatos apurados até então não legitimam as prisões", afirmou Levorin. "As perícias não foram concluídas, portanto nada está claro", completa.
Pedido de liberdade
Até a tarde desta sexta-feira, a defesa dos dois suspeitos ainda não havia pedido a liberdade do casal. O advogado afirmou que deve entrar com um habeas corpus na segunda-feira. "Não se prende uma pessoa para dirimir contradições", disse Levorin.
O principal questionamento do advogado à Justiça será o fato de as supostas responsabilidades de Alexandre e Jatobá no crime não terem sido estabelecidas. O advogado também deve alegar que ambos têm residência fixa e bons antecedentes criminais.
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