Niterói avalia envio de 128 médicos para atender vítimas da dengue no Rio
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A prefeitura de Niterói (região metropolitana do Rio) pretende disponibilizar 128 médicos que atuam na rede municipal para auxiliar os trabalhos em unidades de saúde do Rio.
Com cerca de 500 mil habitantes, Niterói teve 1.531 casos de dengue notificados este ano --não há confirmação de morte. No entanto, o secretário de Saúde de Niterói, Luiz Roberto Tenório, disse na manhã desta sexta-feira que a situação já preocupa.
Em reunião com 40 médicos de hospitais do município, ele anunciou proposta para que eles estendessem seus plantões em hospitais do Rio. A idéia foi um pedido feito pelo secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes.
Tenório afirmou que aguarda resposta dos 40 profissionais e de 78 outros médicos da rede pública do município, que receberam propostas para estender a carga semanal de trabalho de 20 horas para 40 horas, para também ajudar no atendimento a pacientes com dengue no Rio.
Para evitar casos de superlotação em unidades de Niterói, o secretário informou que estuda abrir leitos exclusivos para adolescentes no hospital municipal Carlos Tortelly, no centro do município, para desafogar as unidades de atendimento infantil, que, segundo ele, têm registrado crescimento no atendimento a crianças e jovens com suspeita de dengue.
"Tem aumentado o número de casos em crianças e começamos a ficar preocupados com o número de leito", disse Tenório. "Todo mundo fala que em Niterói está uma maravilha, mas também temos problemas".
Comércio
A epidemia de dengue no Rio já reflete no movimento do comércio de shoppings da cidade, de acordo com pesquisa mensal de vendas. No mês de março, os shoppings do Rio venderam 8,2% menos que no mesmo período do ano passado.
O levantamento é realizado mensalmente pela Aloserj (Associação de Lojistas de Shoppings do Estado do Rio de Janeiro). A associação afirmou ainda que, nos shoppings da zona oeste da cidade, onde há a maior incidência de casos de dengue notificados no Rio, um em cada 16 funcionários estão infectados com a doença. Na zona norte, essa proporção é de um para cada 26 funcionários e, na zona sul, de um para cada 49.
Nesta sexta-feira, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes do Estado do Rio de Janeiro), que administra o transporte público no Estado, informou que deslocou sete ônibus de sua frota para transportar pacientes com suspeitas de dengue de Unidades de Pronto Atendimento do Rio e da Baixada Fluminense para hospitais próximos. Os veículos, segundo a Fetranspor, circularão 24 horas por dia enquanto durar a epidemia da doença e atenderão a pacientes das UPAs de Santa Cruz (zona oeste), Nova Iguaçu (baixada fluminense), Jacarepaguá (zona oeste), Irajá (zona norte), Deodoro (zona norte), Bangu (zona oeste) e Campo Grande (zona oeste).
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