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Cotidiano
07/04/2008 - 17h28

Pai e madrasta de Isabella pedem liberdade à Justiça; delegado manterá sigilo

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da Folha Online

Texto alterado às 17h35

Os advogados que defendem o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá, respectivamente pai e madrasta de Isabella Oliveira Nardoni, 5, entraram com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo às 17h15 desta segunda-feira. Ambos são suspeitos da morte da garota e estão presos desde a semana passada.

Um dos advogados do casal, Rogério Neres de Sousa, informou que o documento foi protocolado. No pedido, os advogados questionam a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça. Eles alegam que o casal têm endereço fixo, não possui antecedentes criminais e, ao contrário do que diz a Polícia Civil, não oferece risco às investigações sobre o crime.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça confirmou o recebimento do pedido. A assessoria informou, entretanto, que o pedido será analisado por um desembargador do TJ, que ficará responsável pela relatoria. Ainda não há um prazo definido para a decisão --favorável ou não ao casal.

Ainda nesta segunda-feira, o delegado responsável pelas investigações, Calixto Calil Filho, do 9º DP (Carandiru), informou que manterá o sigilo do caso, apesar de a Justiça ter determinado nesta segunda-feira que o inquérito não precisaria mais ser mantido em segredo.

Calil Filho preside o inquérito. Ele solicitou à Justiça a prisão temporária do pai da garota, Alexandre Nardoni, e da madrasta, Anna Carolina Trotta Jatobá. Nardoni e Jatobá estão presos desde quinta-feira (3), respectivamente, na carceragem do 77º DP (Santa Cecília) e na do 89º DP (Portal Morumbi).

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, para manter o sigilo, o delegado invocou o artigo 20 do Código de Processo Penal, que diz "A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade."

Silêncio

Além de determinar a prisão, o juiz Maurício Fossen, da 2ª Vara do Júri, também havia decretado sigilo no inquérito. Hoje ele reviu sua decisão e suspendeu sua própria determinação.

Em seu despacho de hoje, o juiz escreve que o sigilo era importante para "conclusão dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos pela autoridade policial". Segundo Fossen, o promotor de Justiça José Taddei Cembranelli, que acompanha o caso, revelou detalhes à imprensa, na sexta-feira (4).

Cembranelli afirmou que há diversos aspectos das versões apresentadas pelos suspeitos que são contestados pelas testemunhas. O promotor chamou os depoimentos de Alexandre Nardoni, pai da garota, e a madrasta dela, Anna Carolina Jatobá, de "fantasiosos".

Para o promotor, se estiverem em liberdade, Nardoni e Jatobá retornarão ao apartamento onde o crime ocorreu e, inevitavelmente, terão contato com as testemunhas que participam do inquérito. Desde o crime, os peritos da Polícia Civil retornaram ao apartamento ao menos uma vez, e o carro --um Ka-- no qual o casal chegou, na noite do crime, continua lacrado.

Crime

Isabella foi encontrada com parada cardiorrespiratória no jardim do prédio onde mora o pai dela, na região do Carandiru (zona norte de São Paulo), na noite do último dia 29 de março. Segundo Nardoni, ela teria sido jogada do sexto andar do edifício. A menina morava com a mãe, mas visitava o pai a cada 15 dias.

Na versão apresentada à Polícia Civil, o pai de Isabella afirmou ter chegado de carro ao edifício onde mora, com os três filhos dormindo. Ele disse ter levado Isabella para o apartamento e retornado à garagem para ajudar a mulher com os outros dois filhos.

Quando voltou ao imóvel, Nardoni teria encontrado a luz acesa e percebido que a menina havia desaparecido. Ele teria, então, visto um buraco na tela de proteção da janela do quarto ao lado e Isabella deitada no jardim. Os bombeiros tentaram reanimar a menina por 34 minutos, mas não conseguiram.

 

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