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Cotidiano
09/04/2008 - 13h23

Delegados dizem ter reconstituído 70% da morte de Isabella

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da Folha Online

O delegado Calixto Calil Filho e a delegada-assistente Renata Helena Pontes, ambos do 9º DP (Carandiru), em São Paulo, disseram nesta quarta-feira que têm dados para reconstruir 70% dos fatos ocorridos na noite do último dia 29 de março, quando Isabella Oliveira Nardoni, 5, foi morta. O pai da menina, Alexandre Alves Nardoni, 29, e a madrasta dela, Anna Carolina Trotta Jatobá, 24, estão presos suspeitos de envolvimento no crime.

Segundo a delegada, já se sabe "70% referente à dinâmica: ao ferimento, onde aconteceu, enfim, a tudo que foi feito lá dentro até o final, o óbito". Para ela, os 30% restantes, a serem determinados pela perícia, não devem trazer surpresas.

Nesta semana, ainda segundo a delegada, mais 19 pessoas --entre familiares, vizinhos e pessoas próximas à família-- devem prestar depoimento. Outras também serão ouvidas, porém ainda não foram intimadas.

Mais cedo, Pontes havia afirmado que acreditava ter só 50% da reconstituição determinada. Depois, reviu a posição. "Nós estamos trabalhando juntos [Calil Filho e Pontes]. É um caso realmente complicado. Nós tivemos materiais de investigação de ontem, eu por um lado e minha delegada-assistente por outro. Terminei de fazer uma reunião, e eu tinha uma parte da coisa. Juntamos os dois quebra-cabeças, as duas partes do jogo. Sentei com ela agora e fechamos em 70%", afirmou o delegado.

Habeas corpus

O pai e a madrasta de Isabella ainda esperam pela decisão do desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, sobre o pedido de habeas corpus feito anteontem (7). O casal foi preso na última quinta-feira (3) suspeito de envolvimento na morte de Isabella.

Não há previsão para a decisão, mas o documento inclui um pedido de liminar, ou seja, um pedido para que a decisão tenha aplicação imediata, anterior à avaliação do mérito do caso.

O casal foi preso sob o argumento de que, com eles afastados, os peritos têm acesso irrestrito da perícia ao local do crime --eles retornaram ao menos duas vezes -- e as testemunhas permanecem isentas.

No pedido de habeas corpus, a defesa dos dois argumenta que eles têm endereço fixo, não possuem antecedentes criminais e, ao contrário do que afirmam a Polícia Civil e o Ministério Público, não oferecem risco às investigações. Nardoni e Jatobá estão presos por força de um mandado de prisão temporária válido por 30 dias (prorrogáveis por mais 30 dias).

Enquanto Jatobá está no 89º DP (Portal do Morumbi), Nardoni está no 77º DP (Santa Cecília).

Promotor

O promotor Francisco José Cembranelli, que acompanha o caso, pediu cautela em relação à investigação, ontem. Trata-se de uma mudança de postura em relação a sexta-feira passada (4), quando ele concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que as versões apresentadas por Nardoni e Jatobá para a noite do crime são "fantasiosas".

Ontem, Cembranelli afirmou não descartar nenhuma hipótese, inclusive a de que uma terceira pessoa tenha cometido o crime, como afirma a defesa de Nardoni e Jatobá.

Arte/Folha
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