Chuvas no NE e estiagem no Sul são reflexos de La Niña, diz meteorologista
KARIN BLIKSTAD
da Agência Folha
As chuvas intensas no Nordeste e em parte do Norte do país e a estiagem no Sul são reflexos do fenômeno La Niña, segundo Lincoln Alves, meteorologista do Cptec (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos).
Todos os anos, entre fevereiro e março, há chuvas no Nordeste devido ao encontro de ventos na faixa equatorial, que levam umidade do oceano para o continente.
Neste ano, as chuvas mais intensas são resultado do aumento na temperatura das águas no litoral nordestino, o que significa mais umidade vindo ao continente, disse Olívia Nunes, meteorologista da empresa Somar Meteorologia.
O mês de março deste ano foi o mais chuvoso dos últimos cinco anos no Nordeste, segundo o Cptec.
O fenômeno La Niña caracteriza-se pelo resfriamento das águas do Pacífico, mudando o padrão de ventos no planeta e a circulação de águas nos oceanos. Seus efeitos devem ser percebidos no país até junho ou julho, afirma Alves.
O Sul está sendo castigado pela estiagem porque os ventos que impedem a passagem de frentes frias --que trazem chuvas ao Sul-- ficam mais intensos em anos de La Niña.
A previsão para os próximos dias é de que as chuvas diminuam no Nordeste, mas não devem parar. Hoje deve chover no Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. No Sul, a previsão é de pancadas de chuvas a partir de amanhã até domingo --uma frente fria chega ao Estado no sábado.
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