Polícia investiga as roupas da madrasta da menina Isabella
da Folha de S.Paulo
Os policiais civis do 9º DP (Carandiru) responsáveis pela investigação do assassinato de Isabella Nardoni, 5, ocorrido na noite de 29 de março, demoraram dez dias para encontrar a camiseta que a madrasta da menina, Anna Carolina Trotta Jatobá, 24, utilizava no momento em que Isabella foi socorrida após ser arremessada pela janela do apartamento do pai, Alexandre Nardoni, 29.
| 11.abr.2008/Folha Imagem |
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| Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, madrasta de Isabella |
Segundo investigadores que pediram anonimato, a demora para achar a camiseta ocorreu porque tanto Anna quanto Nardoni estariam dificultando o encontro das roupas.
Essa camiseta de Anna, além da bermuda, da camiseta cinza e dos chinelos usados por Nardoni ao socorrer a menina, segundo os policiais, só foram entregues terça-feira à Polícia Civil pelo advogado Antonio Nardoni, avô de Isabella. Ele não foi localizado ontem.
Uma equipe do IC (Instituto de Criminalística) trabalha para confirmar a presença de sangue nessa camiseta de Anna.
Mas a presença de sangue ou não na peça não pode ser considerada uma prova contundente contra ela, já que Anna confirmou à polícia que esteve perto de Isabella quando ela foi encontrada caída no jardim do edifício London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de SP), onde ocorreu o crime. A menina foi jogada do sexto andar.
Somente ontem, 12 dias após o crime, a delegada-assistente do 9º DP (Carandiru), Renata Helena Pontes, conseguiu localizar outras roupas de Anna. As peças apreendidas ontem, uma camiseta preta e um par de tênis (tipo sapatilha), estavam com Anna na carceragem do 89º DP (Portal do Morumbi), para onde ela foi levada depois de se entregar, no dia 3.
A polícia só passou a procurar por essas duas últimas peças depois de assistir ao vídeo do circuito de segurança do supermercado Sam's Club, em Guarulhos (Grande São Paulo), onde Isabella, a madrasta e os dois irmãos mais novos estiveram horas antes do crime. Nas imagens, Anna usa uma camiseta preta, mas o calçado que aparece é uma sandália.
Assim como as peças de roupas entregues à polícia por Antonio Nardoni na terça, a camiseta preta e o par de tênis de Anna achados ontem serão submetidos a exames para saber se contêm ou não sangue. A polícia diz acreditar que todas as peças foram lavadas, mas isso, segundo investigadores e peritos do IC (Instituto de Criminalística) que atuam no caso, não impede que manchas de sangue sejam detectadas.
Além da apreensão das peças de roupas, a delegada Renata Helena Pontes voltou a interrogar Anna por volta das 12h30 de ontem. O depoimento, de 15 minutos e cujo conteúdo não foi divulgado pela polícia, foi acompanhado por dois dos advogados do casal. Sem prestar informações precisas sobre o andamento da investigação sobre a morte de Isabella, policiais do 9º DP afirmam que cerca de 40 pessoas já foram ouvidas pela polícia.
Para o advogado Marco Polo Levorin --um dos defensores do casal preso--, porém, depoimentos importantes como o da irmã de Nardoni, Cristiane, 20, e do avô paterno de Isabella, Antonio, já deveriam ter sido tomados, mas isso não ocorreu. Na noite de ontem, questionada sobre a apreensão das roupas no 89º DP, a Secretaria da Segurança Pública negou o fato. Instantes depois, admitiu a apreensão.
Bolo na carceragem
Ontem à tarde, a mãe de uma das presas do 89º DP contou ter visto Anna deitada em um colchão, chorando muito. "Teve até um aniversário [de uma presa]. Levaram bolo e refrigerante para ela, mas ela não quis", disse a aposentada Ana Teixeira, 71, na saída da visita. "É só alguém [visita] chegar perto [de Anna] que ela começa a chorar." Anna não pôde receber visitas ontem --presas em caráter temporário, como ela, recebem visita hoje.
Ontem, o porteiro do prédio de Nardoni, Valdomiro Veloso, afirmou ao "Jornal da Globo" que foi o primeiro a pedir para um morador avisar a polícia após Isabella cair --e não o pai da menina.
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