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Cotidiano
11/04/2008 - 12h01

"É uma grande vitória para nós", diz advogado de pai e madrasta

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da Folha Online

O advogado Ricardo Martins de São José Filho, um dos responsáveis pela defesa do casal Alexandre Alves Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, disse que o habeas corpus concedido no final da manhã desta sexta-feira a eles "é uma grande vitória".

Nardoni e Jatobá são, respectivamente, pai e madrasta da menina Isabella Nardoni, 5, que morreu no último dia 29 de março, em São Paulo. Os dois são suspeitos de ter cometido o crime.

José Filho estava no 9º DP (Carandiru), na zona norte de São Paulo, quando recebeu a notícia de que o habeas corpus havia sido concedido pelo desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, em liminar (provisório) --o mérito ainda será julgado.

Para o advogado, houve um pré-julgamento do casal, "principalmente por parte da polícia". Desde a prisão do casal, a defesa sustenta que não há provas suficientes e que, a despeito do que dizem Polícia Civil e Ministério Público, os dois nunca atrapalharam as investigações.

O advogado não informou para onde Nardoni e Jatobá irão quando forem soltos, o que deve acontecer ainda nesta sexta-feira --os dois só podem ser soltos depois que o TJ expedir um documento e o enviar para o 77º DP (Santa Cecília), onde Nardoni está, e para o 89º DP (Portal do Morumbi), onde Jatobá está.

Habeas corpus

No pedido de prisão, a Polícia Civil, corroborada pelo Ministério Público, argumentava que, uma vez solto, o casal retornaria ao apartamento em que o crime ocorreu, prejudicando o acesso dos peritos, e entraria em contato com testemunhas como funcionários do prédio e vizinhos, dificultando o andamento do inquérito.

No pedido de habeas corpus, a defesa do casal argumentou que os dois têm endereço fixo, não possuem antecedentes criminais e não oferecem risco às investigações.

Investigações

Desde o crime, há 13 dias, a Polícia Civil ouviu o depoimento de mais de 40 testemunhas e a perícia retornou diversas vezes ao local do crime, o prédio em que o pai de Isabella mora, e aos arredores --as imagens feitas pelo circuito interno de vigilância do prédio da frente, que revelariam o horário em que a família de Isabella chegou ao prédio, são analisadas.

O promotor de Justiça Francisco Cembranelli disse sexta-feira passada (4) que depoimentos contradiziam as versões apresentadas por Nardoni e Jatobá para o crime e classificou essas versões como "fantasiosas".

O inquérito, atualmente, corre em segredo, por determinação do delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP (Carandiru), que preside o procedimento.

 

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