Sociedade deve respeitar habeas corpus, afirma advogado
MARIANA CAMPOS
da Folha Online
O advogado Marco Polo Levorin, que defende o casal Alexandre Alves Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, respectivamente pai e madrasta da menina Isabela Nardoni, 5, morta no último dia 29, afirmou nesta sexta-feira que o habeas corpus concedido hoje pela Justiça precisa ser respeitado porque reflete um "Estado democrático de direito".
"Não podemos ser precipitados e também não podemos criticar uma decisão que vem cumprir os princípios do Estado democrático de direito. Não é possível hoje se fazer desta decisão qualquer outro julgamento que não aqueles que estão circundados na sua própria motivação", afirmou.
| 10.abr.08/Leo Caobelli/Folha Imagem |
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| O advogado Marco Polo Levorin afirmou que o habeas corpus precisa ser respeitado |
"Houve quem dissesse que essa decisão não era a que a sociedade espera. A sociedade espera que sejam cumpridas as leis desse país", afirmou Levorin. O habeas corpus concede liberdade ao casal que estava preso desde a quinta-feira passada (3), apontado pela Polícia Civil como suspeito do crime. No pedido de prisão, a Polícia Civil afirmava que, soltos, eles atrapalhariam a investigação.
De acordo com o advogado, o habeas corpus foi embasado na falta de elementos que justificassem a prisão temporária do casal. "A decisão aponta para a necessidade dos fundamentos de uma prisão estarem efetivamente demonstrados e, no caso concreto, não observamos a presença dos requisitos autorizadores da prisão temporária."
Durante entrevista coletiva concedida em frente ao prédio de seu escritório, Levorin se preocupou várias vezes em ressaltar a necessidade de cautela no caso. "A defesa se preocupou muito, muito, muito mesmo com relação ao andamento, com relação à precipitação, ao juízo de valor, ao sensacionalismo, com relação aos aspectos emocionais que o caso trouxe para todo o Brasil", disse.
Local seguro
Apesar de não divulgar o destino, Levorin disse ainda que Alexandre e Anna Carolina serão encaminhados a um local seguro. Segundo ele, a defesa entende que não há risco para os dois após a concessão do habeas corpus. "Entendemos que não há risco, mas evidentemente que serão tomadas algumas precauções", afirmou.
O advogado fez questão de ressaltar também se está no curso de uma investigação policial. Segundo ele, ainda faltam provas periciais e a oitiva de muitas testemunhas --que a defesa já solicitou.
"O que não se pode é fazer de uma investigação uma peça de acusação. A investigação deve analisar todas as hipóteses, todas as linhas de investigação e não se pode ter precipitação, afobamento, juízo de valor."
Levorin disse acreditar na inocência de Alexandre e Anna Carolina. "Estamos convictos que ao final de uma investigação as coisas serão aparadas, mas por hora não podemos ser precipitados. Não podemos fazer de circunstâncias anunciadas decisões condenatórias definitivas", afirmou.
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