"Eu não sou assassina", afirma madrasta de Isabella
MARIANA SANT'ANNA
Colaboração para a Folha Online
Em meio ao tumulto formado às portas do 89º DP (Portal do Morumbi) devido à sua soltura, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, (ouça repórter) - disse: "não sou assassina". Mais cedo, um policial informou tê-la visto chorar ao saber que seria solta. Ela recebeu a notícia por meio de uma televisão instalada perto da cela em que estava. Jatobá é madrasta de Isabella Nardoni, 5, morta no último dia 29 de março, em São Paulo.
| Danilo Verpa/Folha Imagem |
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| Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, madrasta de Isabella |
Ela e o marido, Alexandre Nardoni, 29, pai da garota, são apontados pela Polícia Civil como suspeitos de tê-la matado, no último dia 29, em São Paulo.
Jatobá e Nardoni foram soltos menos de quatro horas depois da concessão de um habeas corpus, por parte do desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida, do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo. Na decisão, o desembargador afirmou que a prisão não poderia estar fundamentada em "fatos ou procedimentos meramente possíveis".
Logo que deixaram a delegacia, Nardoni e Jatobá foram encaminhados para o IML (Instituto Médico Legal), na zona oeste de São Paulo, para fazer exames de corpo de delito --trata-se de um procedimento de praxe na liberação de pessoas que estiveram detidas. Em seguida, os dois irão para um "lugar seguro", segundo os advogados.
Investigações
Nardoni e Jatobá estavam presos por força de um mandado de prisão temporária válido por 30 dias (porém prorrogáveis por mais 30 dias) que foi concedido pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri.
No pedido de prisão, a Polícia Civil, corroborada pelo Ministério Público, argumentava que, uma vez solto, o casal retornaria ao apartamento em que o crime ocorreu, prejudicando o acesso dos peritos, e entraria em contato com testemunhas como funcionários do prédio e vizinhos, dificultando o andamento do inquérito.
No pedido de habeas corpus, a defesa do casal argumentou que os dois têm endereço fixo, não possuem antecedentes criminais e não oferecem risco às investigações.
Depoimentos
Desde o crime, há 13 dias, a Polícia Civil ouviu o depoimento de mais de 40 testemunhas e a perícia retornou diversas vezes ao local do crime, o prédio em que o pai de Isabella mora, e aos arredores --as imagens feitas pelo circuito interno de vigilância do prédio da frente, que revelariam o horário em que a família de Isabella chegou ao prédio, são analisadas.
O promotor de Justiça Francisco Cembranelli disse sexta-feira passada (4) que depoimentos contradiziam as versões apresentadas por Nardoni e Jatobá para o crime e classificou essas versões como 'fantasiosas'.
O inquérito, atualmente, corre em segredo, por determinação do delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP (Carandiru), que preside o procedimento.
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