Ligações para central de atendimento à mulher triplicaram em 2007
da Agência Brasil
O número de mulheres que procuraram a Central de Atendimento à Mulher em busca de orientação sobre como denunciar companheiros agressores triplicou entre 2006 e 2007, segundo a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Em 2006, quando foi sancionada a lei Maria da Penha, o disque 180 recebia em média 40 ligações diárias. Já em 2007, o número subiu para 137 ligações por dia.
No Brasil, cerca de 2,1 milhões de mulheres são espancadas por ano, o que representa uma vítima a cada 15 segundos.
Para a subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves, o aumento da procura por ajuda é resultado da lei Maria da Penha. "A lei trouxe mais debate, as mulheres se informaram mais e estão mais seguras para denunciar", diz.
Segundo ela, o público majoritário na central é o de vítimas mais pobres. "A violência acontece em todos os níveis sociais, mas quem liga são as das classes C, D e E. As outras têm acesso a advogados e outros meios de informação".
O atendimento dura em média 13 minutos. "Mas é importante ressaltar que nós não somos um disque denúncia, e sim uma central para informações", explica Valquíria Câmara, monitora de atendimento da central, acrescentando que nenhuma denúncia é encaminhada diretamente pela central.
A Lei 11.340 recebeu esse nome em homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Maia, que, submetida a constantes maus tratos pelo marido, ficou paraplégica. A norma altera o Código Penal, possibilitando que agressores de mulheres no âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada.
Além disso, a lei impede que os agressores recebam o benefício de penas alternativas, aumenta o tempo máximo de detenção previsto de um para três anos e prevê medidas que vão desde a saída do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação da mulher agredida e filhos.
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