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Cotidiano
14/04/2008 - 21h37

Em depoimento, madrasta de Isabella admite desentendimentos com mãe da menina

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da Folha Online

Em depoimento à Polícia Civil Anna Carolina Jatobá, 24, madrasta da menina Isabella Nardoni, 5, admitiu que já teve muitos desentendimentos com a mãe da garota, Ana Carolina Cunha de Oliveira, 24, causados por ciúme, segundo reportagem do "Jornal Nacional", da TV Globo, nesta segunda-feira. Ela disse que os desentendimentos e intrigas terminaram há pouco tempo, de acordo com a reportagem.

As declarações reveladas pelo jornal foram feitas por Anna e Alexandre Nardoni, 29, no dia seguinte ao dia do crime --Isabella foi arremessada da janela do apartamento onde o pai mora, no último dia 29.

Já o relacionamento entre Anna e Isabella era ótimo, segundo a reportagem. "Eram apaixonadas", diz um trecho do depoimento. A madrasta nunca precisou repreendê-la, de acordo com o depoimento revelado pelo jornal.

Anna contou aos policiais o que ocorreu no dia do crime. Ela e Nardoni chegaram ao prédio, na zona norte, por volta das 23h30 daquele dia. Ele estacionou o carro. As três crianças dormiam. Nardoni levou primeiro Isabella para o apartamento. Anna teria ficado esperando na garagem, dentro do carro, segundo a reportagem.

A madrasta disse que não sabe ao certo quanto tempo Nardoni demorou no apartamento com Isabella. Mas, segundo a reportagem, ela teria dito acreditar que a demora foi de dez a 12 minutos. Quando o Nardoni chegou à garagem, o casal subiu com os irmãos de Isabella. Quando chegaram ao apartamento --que fica no 6º andar-- ele colocou a chave para abrir a porta e teria notado que a luz estava acesa, ao contrário do que ele havia deixado, de acordo com o depoimento de Anna.

Nardoni então perguntou pela filha e Anna então respondeu que ela deveria ter caído da cama, segundo o relato da madrasta. Os dois viram então que Isabella não estava na cama e perceberam um rasgo na tela de proteção do quarto dos meninos. Nardoni se aproximou e ao olhar para baixo viu a menina caída. Anna afirmou ter visto uma mancha de sangue na cama de um dos filhos e começou a gritar.

As crianças acordaram e ela também foi até a janela e viu Isabella no jardim. Nardoni teria pedido para que ela ligasse imediatamente para o pai dele, segundo o depoimento. Os dois desceram com as crianças e ao chegar lá embaixo Anna gritou por socorro. Segundo o depoimento dela, naquele dia ela não notou a falta de nenhum objeto do apartamento. No dia seguinte, percebeu que uma câmera digital havia desaparecido, mas não soube informar se foi roubo ou não, segundo a reportagem.

Em seu depoimento, Nardoni disse que o casal chegou ao edifício entre 23h10 e 23h20 daquele dia. Os filhos já estavam dormindo no carro. Ele subiu primeiro com Isabella. A mulher ficou no carro com os outros dois filhos. Nardoni disse que abriu a porta do apartamento, que estava trancada, acendeu as luzes da entrada, do corredor e do quarto de Isabella. Colocou a menina na cama e acendeu o abajur. Ele disse que arrumou o quarto dos meninos ao lado e trancou a janela, que estava semi-aberta. Nardoni disse no depoimento que viu que a rede de proteção estava intacta. Ele ficou cinco minutos no apartamento, trancou a porta e voltou à garagem, segundo a reportagem.

Na garagem, ele pegou os meninos e junto com a mulher voltou ao apartamento. Abriu a porta, que estava trancada, entre descer e subir novamente, passaram-se quatro minutos. Ele percebeu que as luzes estavam acesas e viu que Isabella não estava na cama. Ele entrou no quarto dos meninos e reparou que havia pingos de sangue no chão e que a janela estava totalmente aberta, segundo a reportagem. Nardoni teria percebido que a tela estava cortada, em forma de círculo. Ele foi até a janela e viu a menina caída no jardim do prédio.

Segundo a reportagem, Nardoni levou um choque e começou a gritar. Ele desceu pelo elevador social com Anna. Lá embaixo, tentou escutar o coração da filha e percebeu que ela respirava, mas não respondia. Ele então pediu para que os vizinhos chamassem o resgate.

Roupas

Roupas da menina Isabella de sua madrasta foram entregues hoje à Polícia Civil. Uma das roupas, que pertencia a Isabella, teria sido usada pela menina no dia em que foi morta. Ela aparece vestindo a peça no vídeo gravado pelo circuito de segurança do supermercado Sam's Club, em Guarulhos (Grande São Paulo), horas antes do crime.

Os advogados Ricardo Martins e Rogério Neres, que fazem a defesa da madrasta e do pai da menina, Alexandre Nardoni, 29, entregaram as roupas na tarde de hoje no 9º Distrito Policial (Carandiru), que centraliza as investigações sobre a morte de Isabella.

Foram entregues três peças de roupas: uma camiseta verde de mangas longas e uma blusa vermelha com gola alta, ambas de Anna; e uma blusa estilo bata, que pertencia a Isabella.

"Não entregamos antes porque não haviam sido requisitadas", disse Martins.

As duas peças de roupa de Anna foram usadas por ela antes do momento em que a família foi ao supermercado, segundo os advogados. Já a roupa de Isabella foi entregue é a que foi usada pela menina naquele momento.

Depoimentos

A Polícia Civil já ouviu 52 pessoas durante as investigações da morte da menina Isabella. Por volta das 11h desta segunda-feira, um casal, morador do prédio onde a criança foi morta, chegou ao 9º DP para também ser ouvido. Os nomes não foram informados. Outras duas pessoas deveriam prestar depoimentos hoje, mas a oitiva foi cancelada.

A Folha Online apurou que policiais da delegacia consideram importante o depoimento de Cristiane Nardoni, tia da menina. A polícia quer saber detalhes do telefonema sobre a morte da sobrinha, que ela recebeu quando estava em um bar.

Ainda não há, no entanto, confirmação da data para que Cristiane seja ouvida. Além das pessoas já ouvidas, a defesa do casal pede que outras pessoas prestem depoimento. Por isso, entregou uma lista com ao menos 22 nomes à polícia.

 

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